A forte queda nos preços da carne suína está afastando os suinocultores brasileiros da contratação de crédito rural. Dados preliminares indicam que os produtores contrataram apenas R$ 346,6 milhões em financiamentos no primeiro semestre de 2026, uma queda de 36,1% em relação ao mesmo período de 2025.
“Com essa crise de preços, o cenário preocupa. A tendência é o produtor deixar de fazer investimentos ou de se endividar, já que opera abaixo do custo de produção”, afirma Iuri Machado, consultor de mercado da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS).
De acordo com o indicador Cepea/Esalq, o quilo do suíno vivo acumulou queda de 36% em São Paulo entre janeiro e maio, passando de R$ 7,76 para R$ 4,97. Além da crise de preços, os juros altos — que chegam a 18% ao ano nas operações de custeio — também contribuem para o encolhimento do crédito.
Os dados fazem parte da ABCSData, plataforma de inteligência de mercado que será lançada durante a 333 Experience Congress Brasil, em Florianópolis. Segundo a plataforma, o crédito para custeio no setor já havia caído 21% em 2025, totalizando R$ 1,8 bilhão, com 28,7 mil operações e valor médio de R$ 60,9 mil. Os bancos públicos responderam pela maior parte (R$ 1,2 bilhão), e os médios produtores foram responsáveis por 68,5% das contratações.
Machado avalia que, embora 2025 tenha sido um ano de recuperação para a suinocultura, o crescimento da produção não foi estrutural. “Grande parte desse crescimento se deu pela produtividade com a mesma estrutura física, sem investimentos significativos em melhorias de instalações ou tecnologia.”
Um dado que chama a atenção é a participação de Minas Gerais, que teve o segundo maior volume de crédito em 2025 (R$ 371 milhões), embora tenha apenas o quarto maior rebanho. O estado se destaca por ter o maior rebanho independente do país. Em Santa Catarina, principal produtor e líder em crédito, a maioria dos produtores é integrada ou cooperada.
Para o segundo semestre de 2026, a expectativa é de recuperação dos preços, desde que não haja problemas nas exportações. “Historicamente, a suinocultura reage no segundo semestre, com aumento da demanda no último trimestre por causa das festas de fim de ano”, conclui Machado.