Bicudo da cana: veja as principais formas de controle da praga

O bicudo da cana (Sphenophorus levis) é uma praga de solo que preocupa produtores, usinas e pesquisadores desde sua detecção em 1977. As infestações causam perdas de 25 a 30 toneladas por hectare por ano na região Centro-Sul, com gastos anuais de R$ 700 milhões em combate. Para enfrentar o desafio, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) lançou um Manual de Boas Práticas e uma Rede Colaborativa de Experimentação durante o evento Nexfera, realizado em Ribeirão Preto (SP).

Estratégias recomendadas

O manejo integrado é a abordagem mais eficaz. As principais recomendações incluem:

  • Destruição mecânica das soqueiras na renovação dos canaviais, preferencialmente no período seco.
  • Vazio sanitário de pelo menos seis meses, com rotação para culturas não hospedeiras, como soja, amendoim ou crotalária. Milho, milheto, sorgo e braquiária mantêm o inseto vivo e devem ser evitados.
  • Plantio de mudas sadias e menos sensíveis à praga.
  • Integração de controle biológico e químico com rotação de moléculas, sem depender de uma única ferramenta.
  • Monitoramento constante e planejamento detalhado.

Manejo da palha e temperatura do solo

O manejo da palha é uma técnica recomendada por Fernando Pattaro, assistente técnico em entomologia do CTC. A palha aumenta a temperatura do solo, desfavorecendo a postura da fêmea – que prefere cerca de 22°C. Estudos apontam redução de dois a quatro pontos percentuais na infestação com essa prática.

Desafios no controle químico

Segundo a pesquisadora Leila Luci Dinardo Miranda, do Instituto Agronômico (IAC), os inseticidas matam apenas 35% a 45% da população adulta. A aplicação nos sulcos de plantio ajuda, mas não resolve totalmente; a aplicação em área total não é recomendada.

Importância da amostragem

A amostragem deve ser feita no primeiro e no penúltimo corte. Em áreas muito infestadas, um ou dois pontos por hectare bastam; onde a infestação é baixa, recomenda-se até seis pontos. Pesquisa setorial revela que 55% das usinas fazem apenas uma amostragem por hectare – número insuficiente para um diagnóstico preciso.

Renovação e meiosi

A renovação com soja, amendoim ou crotalária é eficaz, pois essas culturas não hospedam o bicudo, que acaba morrendo de fome. Já a técnica de meiosi (produção de mudas na própria área de reforma) foi fortemente rejeitada: mantém o bicudo adulto no solo e impede o vazio sanitário.

O evento Nexfera reuniu especialistas, usinas e fornecedores, consolidando o conhecimento mais atual sobre monitoramento e controle. O manual lançado pelo CTC é um guia prático baseado em experiências de campo e pesquisas, com o objetivo de apoiar decisões mais assertivas no combate a essa praga que desafia o setor sucroenergético.

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