Brasil tem potencial para ampliar em cinco vezes a área irrigada, aponta estudo

O agronegócio brasileiro pode expandir a área irrigada em mais de cinco vezes, alcançando 55,8 milhões de hectares, segundo estudo da Abimaq em parceria com a USP/Esalq divulgado nesta terça-feira (16/6). No entanto, faltam políticas públicas e alternativas de financiamento para viabilizar esse crescimento, diante de margens apertadas, restrição ao crédito e juros elevados.

A irrigação é vista como estratégia essencial para garantir produtividade e mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Lavouras irrigadas têm rendimento médio 30% superior às de sequeiro. Atualmente, a área irrigada ocupa cerca de 8,19 milhões de hectares, com destaque para pivô central (29,4%) e inundação (24,64%), esta última usada principalmente no cultivo de arroz em terras baixas.

O potencial de expansão está dividido em 26,69 milhões de hectares em áreas de sequeiro, 26,73 milhões em pastagens e 2,43 milhões em áreas com disponibilidade hídrica subterrânea. Sete municípios se destacam como polos de crescimento: Barreiras e Santa Maria da Vitória (BA), Unaí e Patos de Minas (MG), Sorriso (MT), Cruz Alta e São Luiz Gonzaga (RS). Juntos, somam 704 mil hectares irrigados por pivô, equivalentes a 37,1% da área irrigada nacional.

A soja responde por 67,8% da área irrigada no Brasil, chegando a 98,2% em Mato Grosso. As projeções indicam 270 mil hectares adicionais em Minas Gerais, 267 mil na Bahia, 137 mil no Rio Grande do Sul e 112 mil em Mato Grosso. Sorriso lidera o potencial absoluto de incremento até 2040, com 212 mil hectares projetados.

Em termos de produtividade, cada aumento de 1% na área irrigada eleva o rendimento da soja em 0,0698% por hectare. Os efeitos variam por região: na Bahia, o incremento é de 0,1405%; em Minas Gerais, 0,0594%; e em Mato Grosso, 0,0631%. Dobrar a área irrigada estaria associado a aumentos de 5,33 sacas/ha na BA, 2,27 sacas/ha em MG e 2,41 sacas/ha em MT.

Economicamente, a expansão de 1.567 hectares irrigados gera R$ 8,27 milhões adicionais no valor adicionado bruto da agropecuária, eleva a produtividade das culturas temporárias em R$ 164,58 por hectare e cria nove empregos formais. No longo prazo, os efeitos convergem para R$ 13,98 milhões em valor adicionado, R$ 127,42 por hectare em produtividade e três empregos formais adicionais.

Para Luiz Paulo Heimpel, vice-presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação da Abimaq, o estudo fornece dados que embasam políticas públicas, já que a irrigação depende de infraestrutura como energia e outorgas de água. Ele destaca que o El Niño preocupa produtores, especialmente nas regiões central e Nordeste, onde ondas de calor podem impactar as lavouras.

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