MS tem potencial para expandir processamento de soja e reduzir dependência de exportação in natura

Um estudo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) revela que o estado pode ampliar significativamente o esmagamento da soja local. Em 2025, cerca de 43% da produção de soja em grãos – aproximadamente 6,1 milhões de toneladas – foi exportada sem qualquer beneficiamento, indicando uma margem considerável para a industrialização da matéria-prima dentro do estado.

O levantamento também aponta um dos principais entraves da cadeia produtiva sul-mato-grossense: a armazenagem. Atualmente, a capacidade estática de estocagem é de 15,59 milhões de toneladas, enquanto a produção conjunta de soja e milho supera esse volume em cerca de 12,4 milhões de toneladas. Essa insuficiência força os produtores a acelerar o escoamento dos grãos em momentos de safra cheia, elevando custos logísticos e reduzindo a capacidade de esperar por preços mais favoráveis.

Diante desse cenário, a instalação de novas indústrias esmagadoras surge como uma alternativa estratégica para fortalecer a agroindustrialização e reter mais valor dentro do estado. O processamento da soja transforma o grão em farelo e óleo bruto, produtos com demanda consolidada e maior valor agregado em comparação à commodity exportada.

Benefícios econômicos e logísticos

“O fortalecimento da capacidade de processamento permite que uma parcela maior da riqueza gerada no campo permaneça na economia estadual. A instalação de novas indústrias amplia a demanda regional por grãos, fortalece os elos da cadeia produtiva e reduz a dependência exclusiva das oscilações do mercado internacional de commodities”, destacou o analista de economia da Aprosoja-MS, Linneu Borges Filho.

Além dos ganhos econômicos, o processamento industrial contribui para aliviar a pressão sobre o sistema de armazenagem, pois aumenta o giro dos estoques e cria novos canais de absorção da produção regional. Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com unidades esmagadoras em Dourados, Campo Grande, Três Lagoas, Caarapó e Sidrolândia, além de uma planta em construção no município de Naviraí. A maior concentração dessas estruturas está na região sul do estado, que também concentra a principal área produtora de soja.

Vantagens logísticas e demanda crescente

Segundo o estudo, fatores logísticos são decisivos para atrair novos investimentos. As regiões sul e sudoeste apresentam vantagens competitivas devido à maior disponibilidade de rodovias, proximidade dos polos consumidores e conexão com importantes corredores de escoamento para o mercado interno e externo.

Outro fator favorável é a demanda crescente pelos subprodutos da soja. O avanço da produção de proteína animal mantém aquecida a procura por farelo de soja, principal fonte de proteína vegetal para rações. Ao mesmo tempo, as diretrizes nacionais para ampliação gradual da mistura de biodiesel ao diesel fortalecem a demanda por óleo bruto de soja.

Na avaliação da Aprosoja-MS, a combinação entre oferta de matéria-prima, demanda industrial crescente e localização estratégica coloca Mato Grosso do Sul em posição favorável para ampliar sua participação na agroindustrialização nacional. “Com isso, o estado pode reduzir sua dependência da exportação de commodities in natura, diversificar sua pauta exportadora, gerar empregos e ampliar a competitividade do agronegócio regional”, conclui a entidade.

Fonte: Globo Rural, com informações da Aprosoja-MS.

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