A pressão de compradores no mercado interno e nos portos, diante do início da colheita da segunda safra, continua influenciando os valores do milho na maior parte das regiões acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em diversas praças, especialmente nas produtoras, as médias da parcial de junho são as menores do ano, em termos nominais.
Segundo o indicador do milho do Cepea, baseado na região de Campinas (SP), na última sexta-feira a cotação estava em R$ 62,97 a saca de 60 quilos, uma queda de 2,99% no acumulado do mês. Consumidores internos seguem atentos ao avanço da colheita de segunda safra e indicam ter estoques para consumo no curto prazo, conforme aponta o Cepea. Esses agentes têm postergado as negociações devido às recentes quedas dos preços internacionais, o que reduz a paridade de exportação.
Do lado vendedor, os produtores que não precisam “fazer caixa” ou liberar espaço nos armazéns ainda limitam as negociações, destacam pesquisadores do Cepea. A atuação do El Niño foi confirmada no Brasil, e o fenômeno climático pode aumentar as chuvas na região Sul e trazer irregularidade das precipitações e aumento do calor no Centro-Oeste, justamente em um período importante para a safra verão. Para o milho, a semeadura pode ser prejudicada no Sul; no Centro-Oeste, caso ocorra atraso na safra verão, a semeadura da segunda temporada pode ocorrer fora do período ideal.
Colheita no Mato Grosso
Em relação à colheita da segunda safra de milho, os trabalhos no Mato Grosso alcançaram 20,86% da área esperada na última semana, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço é maior que o registrado no mesmo período da safra 2024/25 (14,08%), mas inferior à média dos últimos cinco anos (23,26%). A região com os trabalhos mais adiantados é o Médio-Norte, com 29,92% das lavouras colhidas, enquanto a mais atrasada é o Sudeste, com 5,48%.