A indústria frigorífica brasileira está confiante de que as negociações com a União Europeia (UE) resultarão no retorno do país à lista de autorizados a exportar carnes e derivados ao bloco antes de setembro, quando o veto por uso de antimicrobianos entrará em vigor. A aposta é no avanço do diálogo técnico, baseado em um protocolo privado para segregar animais livres de antimicrobianos.
Segundo Renato Costa, CEO da Friboi e presidente do conselho da Associação Brasileira das Indústrias de Carnes (Abiec), houve “passividade” da cadeia pecuária e do Executivo diante do regulamento europeu, que não é novo. Ele defende maior envolvimento dos laboratórios na oferta de alternativas aos antimicrobianos proibidos.
“Estamos confiantes. Teve que ter uma escalada política para acelerar as negociações. O presidente Lula, no G7, apresentou nosso pleito. Além disso, o Ministério da Agricultura trabalha para convencer a comunidade europeia a aceitar o protocolo”, afirmou Costa durante o Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap).
O executivo destacou que o reconhecimento do Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação e outros avanços sanitários podem ajudar. “Ideal seria voltar para a lista, apresentar o protocolo e pedir um período de transição”, disse, referindo-se à certificação da ausência de antimicrobianos em todo o ciclo de vida do boi, de cerca de 30 meses.
Na semana passada, Abiec e Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitaram ao governo a ampliação da proibição de produtos antimicrobianos. Ainda não houve resposta. Costa afirmou que a proposta, criticada por pecuaristas e empresas de saúde animal, visa provocar ação sobre o tema.
Uma crítica dos pecuaristas é a falta de substitutos aos antimicrobianos. Costa argumenta que alternativas existem em países vizinhos como Uruguai e Argentina e poderiam ser ofertadas aos produtores brasileiros. “Para ser sincero, houve um pouco de passividade de todos”, disse.
Atualmente, cerca de 1,2 mil fazendas brasileiras estão habilitadas a exportar à UE, mas não atendem aos critérios sobre o uso dos medicamentos. Damian Lluna, conselheiro da Representação Europeia no Brasil, lembrou que a UE tem regras de proibição desde o início dos anos 2000, obrigatórias para produtores europeus desde 2022 e agora para terceiros.
As vendas de carne bovina ao bloco em 2025 somaram US$ 1 bilhão e 128 mil toneladas (3,5% do total). Com a compra de cortes nobres, um eventual bloqueio pode afetar a rentabilidade, mas Costa aposta em remanejar o volume.