Agropecuária Schneider entra em recuperação judicial e garante imóvel

O Grupo Agropecuária Schneider, tradicional produtor rural sediado em Marcelino Ramos (RS), obteve uma importante vitória judicial ao entrar em recuperação judicial. A empresa conseguiu a suspensão temporária da consolidação e expropriação de um imóvel dado como garantia em um empréstimo, assegurando a continuidade de suas operações.

A dívida total do grupo, que inclui os produtores Adilo, Aércio, Celso, Wilson e Tarlis Schneider, é de R$ 248,3 milhões, distribuída entre 174 credores. A decisão favorável foi referente a um débito de R$ 20,6 milhões com a Cooperativa de Crédito Livre Admissão de Associados do Alto Uruguai Catarinense (Sicoob Crediauc), que tinha alienação fiduciária atrelada a três imóveis nos municípios de Marcelino Ramos e Gaurama (RS).

Segundo a advogada Camila Somadossi, do escritório Finocchio & Ustra Sociedade de Advogados, que representa o grupo, a dívida não foi paga no prazo, levando o credor a contestar em cartório. Em alienação fiduciária, o credor detém o direito de posse, mas não a propriedade definitiva. Quando o devedor deixa de pagar, o credor pode solicitar a execução extrajudicial, emitir a guia de ITBI e consolidar a posse, tornando-se proprietário. O imóvel então deve ser leiloado para quitação da dívida. A advogada explicou que sem a consolidação, ainda é possível negociar.

O juiz João Marcelo Barbiero de Vargas, do Juizado Regional Empresarial da Comarca de Passo Fundo, determinou a suspensão da consolidação e expropriação dos imóveis até que se decida se são essenciais à sobrevivência do grupo. A recuperação judicial foi deferida em 1º de junho, com suspensão por 180 dias de todas as execuções de dívidas. A Medeiros & Medeiros Administração de Falências foi nomeada administradora judicial.

A crise do grupo começou em 2020, impulsionada pela alta nos custos de produção — o custo fixo do milho no Rio Grande do Sul subiu 58,22% de 2020 a 2023, enquanto o variável cresceu 86,51% — e pela queda nas cotações das commodities. O preço médio da soja caiu 19,91% entre 2022 e 2023 e mais 16,4% entre 2023 e 2024. Eventos climáticos extremos também contribuíram: enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 devastaram áreas de cultivo, e a seca severa no Tocantins prejudicou a produção. Além disso, a taxa básica de juros (Selic) saltou de 2% ao ano em 2021 para 15% até 2025.

Fundado em 1987 pelo casal Amandio e Ercy Schneider, o grupo começou com pecuária de leite e corte e, nos anos 2000, migrou para grãos, principalmente soja, milho e erva-mate. Hoje, também atua no comércio atacadista e varejista de cereais, insumos agrícolas e pecuários, transporte de cargas e armazenagem. Possui 4,5 mil hectares próprios no Rio Grande do Sul e 1,5 mil hectares no Tocantins. As dívidas extraconcursais somam R$ 24,6 milhões.

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