Realizada nesta sexta-feira (26/6), a 1ª Feira Aves Seara reuniu mais de 1,6 mil produtores em Arapongas (PR). O evento destacou a biosseguridade como tema central, com debates e palestras de especialistas do setor avícola.
Aos 68 anos, Isaías Orélio trabalha há duas décadas com aviários em Nova Esperança, no noroeste do Paraná. Ao lado do filho João Orélio, ele está animado com a rentabilidade do frango, que tem garantido boa qualidade de vida para a família. Em parceria com o irmão Elias da Cruz Orélio e dois sobrinhos, conseguiu financiamento para ampliar os aviários, saltando de 60 mil para 228 mil aves. No entanto, todos sabem que o sucesso depende da atenção máxima à biosseguridade. “Na verdade, significa o nosso fim como produtores”, alerta Isaías.
A família adota rigorosas normas de segurança: visitas jamais entram nos aviários e até dois pés de mamão com frutos foram cortados para não atrair pássaros silvestres. “Seguimos todos os protocolos de desinfecção, inclusive dos automóveis. Isso é inegociável”, reforça João Orélio.
Durante a feira, autoridades da cadeia avícola enfatizaram a importância da biosseguridade. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou: “É a nossa principal preocupação. Há desafios de logística, meio ambiente, entraves tributários, mas nada é tão importante quanto a biosseguridade”. Ex-ministro da Agricultura e conselheiro da ABPA, Francisco Turra seguiu o mesmo alerta: “Se não tiver sanidade, tudo vai pelo ralo”.
Os alertas vieram acompanhados de dados que mostram que os produtores brasileiros adotam excelentes práticas de manejo. O Brasil mantém-se livre de doenças de notificação compulsória, como a gripe aviária, que teve apenas um registro em maio de 2025, em Montenegro (RS), e a doença de Newcastle, com um caso em maio de 2024, em Anta Gorda (RS).
José Antônio Ribas Júnior, diretor executivo de agro da Seara, anfitriã do evento, afirmou: “A sanidade é o nosso cartão de visitas para abrirmos mercados. O único país relevante na produção de aves e suínos livre de doenças de notificação obrigatória é o Brasil. Quando tivemos um caso de influenza, demos uma aula de como resolver — em menos de 72 horas eliminamos o foco”.