Preço do boi gordo cai e frigoríficos mantêm cautela; escalas de abate confortáveis

O mercado do boi gordo encerrou a semana com quedas nas cotações na maioria das regiões brasileiras, segundo a Scot Consultoria. Em praças de referência como Araçatuba (SP) e Barretos (SP), os preços do boi gordo e do “boi China” recuaram 1,7% em relação ao fechamento da semana anterior. A vaca teve queda de 1,2% e a novilha, de 1,8%.

Nesta sexta-feira (26/5), das 33 regiões monitoradas pela Scot, 17 mantiveram estabilidade nos preços do boi gordo e 16 registraram quedas. Em Araçatuba e Barretos, a cotação do boi ficou em R$ 342 por arroba para pagamento a prazo.

De acordo com a consultoria, já havia negócios fechados abaixo das cotações vigentes em São Paulo, mas sem volume suficiente para se tornar referência. O movimento reflete a postura cautelosa dos compradores, com escalas de abate confortáveis (superiores a uma semana) e sem necessidade de ampliar as programações.

O consumo interno mais fraco, típico do fim do mês, limitou o escoamento da carne e levou as indústrias a controlarem melhor os estoques. Mesmo os frigoríficos exportadores atuaram com cautela, enquanto os mais dependentes do mercado interno buscaram negociar a preços menores.

Do lado da oferta, os pecuaristas mantiveram a estratégia de escalonar as entregas, mas de maneira menos intensa. Houve maior flexibilidade para negociações a valores mais baixos, especialmente onde a oferta aumentou ou onde havia maior necessidade de venda.

Segundo a Safras & Mercado, o dia foi de inexpressiva fluidez nos negócios, com algumas indústrias ausentes da compra de gado. As escalas de abate apresentam relativo conforto, entre seis e oito dias úteis na média nacional.

Fernando Iglesias, analista da Safras, destaca que o esgotamento precoce da cota chinesa de carne bovina ainda é o principal elemento de demanda no curto prazo. A expectativa é que o governo chinês emita o alerta de 80% de preenchimento da cota brasileira nos próximos dias, consequência do ritmo acelerado dos embarques em maio e junho.

O mercado atacadista encerra a semana com acomodação dos preços. Segundo a Safras, o ambiente de negócios ainda sugere alguma queda no curto prazo, alinhada com a reposição mais lenta entre atacado e varejo. “A entrada dos salários na economia é um importante motivador para a retomada do movimento de alta durante a primeira quinzena de julho”, destaca Iglesias.

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