Manejo inteligente ajuda produtor de soja a reduzir danos do El Niño na safra 2026/27

Com a probabilidade crescente de o fenômeno El Niño afetar o clima brasileiro, os produtores de soja precisam adotar medidas preventivas para evitar perdas na safra 2026/27, que começa a ser plantada em setembro. Especialistas apontam que técnicas de manejo simples podem minimizar os prejuízos causados por condições climáticas extremas.

José Renato Bouças Farias, pesquisador da Embrapa Soja, destaca que, apesar do alerta de muitos institutos de meteorologia, que preveem até um super El Niño, o produtor não deve entrar em pânico. “Ele administra uma fábrica a céu aberto, por isso é fundamental se prevenir usando toda a informação e tecnologia disponível”, afirma.

Recomendações essenciais

Em anos de instabilidade climática, seguir preceitos básicos é crucial. O primeiro é semear dentro da janela recomendada pelo Ministério da Agricultura. O calendário oficial indica que alguns estados iniciam o plantio em setembro, podendo se estender até fevereiro de 2027, dependendo da região. “Em anos de El Niño, com chuvas intensas no Sul e escassez no Norte e Centro-Oeste, respeitar o calendário reduz significativamente as chances de perda”, explica Farias.

O pesquisador também sugere o uso de cultivares de ciclos diferentes, pois, em caso de seca severa, o impacto não será homogêneo em toda a área plantada. Outra recomendação é o plantio escalonado, que evita perdas generalizadas diante de clima adverso.

Cuidados com o solo

Preservar o solo antes da semeadura é outra estratégia importante. Técnicas como cobertura verde e manutenção da palhada — comuns no sistema plantio direto — ajudam a proteger a terra. “No Sul, em caso de chuvas fortes, essa proteção reduz o impacto e evita riscos maiores de erosão”, diz Farias. Ele lamenta que, na correria para semear toda a área em condições favoráveis, muitos produtores acabam negligenciando essas medidas.

Lições de Mato Grosso

Em Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, os cuidados precisam ser redobrados. Na safra 2023/24, a última sob efeitos do El Niño, a colheita estadual foi de 38,70 milhões de toneladas, bem abaixo das 45,32 milhões do ciclo anterior, conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Cleiton Gauer, superintendente do Imea, recomenda o uso de seguro rural, ainda subutilizado no estado. “Por hábitos culturais e pela crença de que o clima sempre favorece, muitos acham que não vão precisar”, observa.

Gauer também alerta contra “plantar a semente no pó”, ou seja, em solo com déficit hídrico. Ele defende investimentos em cultivares mais resistentes à seca, que suportem períodos maiores de veranicos sem comprometer a colheita.

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