Japão, adversário do Brasil na Copa, é um dos maiores compradores de café brasileiro

Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira pelo mata-mata da Copa do Mundo, mas fora de campo os dois países mantêm uma forte parceria no agronegócio, especialmente no comércio de café. Em 2025, o café não torrado representou 18,1% de tudo o que o Brasil vendeu ao Japão, movimentando cerca de US$ 1 bilhão.

Segundo dados do Comex Stat, as transações comerciais entre os dois países somaram US$ 11,5 bilhões em 2025, um crescimento de 4,8% em relação a 2024. O Japão foi o 12º destino das exportações brasileiras e o 10º maior fornecedor do Brasil, respondendo por 2,16% das importações nacionais.

Além do café, as carnes de aves e miudezas comestíveis frescas, refrigeradas ou congeladas também se destacam, com 15,3% das exportações e receita de US$ 840 milhões.

A relação comercial entre os dois países é centenária, iniciada com a imigração japonesa no fim do século XIX. O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, destaca que os primeiros japoneses que chegaram ao Brasil em 1908 vieram trabalhar justamente no café, consolidando o vínculo com a bebida.

Após a Segunda Guerra Mundial, a parceria ganhou novo impulso com a retomada das relações diplomáticas em 1952 e a assinatura de um acordo comercial. Nos anos 1960 e 1970, novos acordos de cooperação expandiram os negócios em agricultura, mineração e indústria.

Matos explica que o perfil do consumidor japonês, que valoriza qualidade e sustentabilidade, é um dos motivos para o sucesso do café brasileiro no país. “O Japão é um mercado de qualidade. Quando olhamos para cafés diferenciados, com selos de sustentabilidade, o país continua entre os principais compradores”, afirma.

Em 2025, o Japão foi o quarto maior importador de café do Brasil, com compras de mais de 2,6 milhões de sacas, um crescimento de quase 20%. Já em 2026, nos primeiros cinco meses, o país caiu para a quinta posição, com queda de 32,6% nas compras. Matos atribui o recuo ao período de entressafra e à menor competitividade do café brasileiro, mas acredita em recuperação a partir de julho, com a nova safra recorde prevista entre 66 e 71 milhões de sacas.

Apesar da queda temporária, o Cecafé mantém perspectiva positiva. “Existe uma relação de confiança construída ao longo de décadas. Com competitividade, disponibilidade e qualidade, essa parceria tende a continuar”, conclui Matos, ressaltando que geopolítica, logística e clima podem influenciar o cenário.

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