Chãozão expande inteligência de dados territoriais e busca R$ 15 milhões para nova plataforma

A startup Chãozão, que começou como um portal de anúncios de propriedades rurais, está avançando em sua estratégia ao oferecer inteligência de dados territoriais para garantir mais segurança ao mercado sobre o perfil de cada imóvel. Para isso, a empresa abriu uma rodada de captação de R$ 15 milhões, que serão investidos na expansão de uma plataforma recém-lançada.

Batizada de KMZ Pro, a plataforma compila dados públicos ambientais, fundiários, logísticos, climáticos e mercadológicos, informando os níveis de produtividade e potenciais das áreas anunciadas. “Agora não temos só a informação trazida pelo anunciante, fazemos a validação dessas informações”, disse Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão.

Os anúncios de terras publicados na plataforma são feitos por proprietários, corretores e bancos. Com a inteligência territorial, o portal espera atrair agentes do mercado financeiro, já que terras são ativos cada vez mais demandados por fundos de investimento.

Em 2025, a Chãozão já havia deixado de ser uma mera anunciante e passou a oferecer o Índice Chãozão Valor do Hectare (ICVH), que apresenta o preço médio do hectare em cada município. Em abril deste ano, a entrada da gestora Möbius Capital como sócia ampliou a estratégia, direcionando o foco ao aprimoramento e organização de dados territoriais.

“A proposta de valor é trazer transparência, segurança, inteligência e liquidez para o mercado de terras — não apenas para compradores e vendedores, mas também para o mercado de crédito e investidores do mercado de capitais. Dores que sentíamos aqui na gestora”, afirmou Murilo Moura, sócio da Möbius.

Segundo Moura, os compradores não encontram dados confiáveis para embasar as negociações de terras. “Começamos a usar o Chãozão não só para prospectar áreas para o nosso fundo de terras, mas também para valoração”, disse. O passo seguinte foi o aporte de tecnologia e recursos na startup, valor não revelado pela gestora.

Entre as barreiras atuais para verificar informações das terras à venda estão a distância, a dificuldade de estar in loco e a dispersão dos dados, segundo a CEO. “Organizar, interpretar e transformar dados territoriais em inteligência, em uma única plataforma, é uma necessidade para os próximos anos”, afirmou.

O portal reúne hoje 9 mil propriedades rurais anunciadas, avaliadas conjuntamente em R$ 500 bilhões, e atende todo o país. A expectativa é concluir a captação em até três meses. Os R$ 15 milhões serão usados para melhorar a experiência do usuário na plataforma e ampliar a capilaridade do Chãozão, que pretende expandir o número de anúncios. “Nos últimos cinco meses, entraram usuários pesquisando terras em 4.900 municípios, mas temos anúncios em apenas 1.500. Isso mostra um gap que queremos preencher”, disse a CEO.

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