O governo federal anunciou nesta quarta-feira (1º/7) o Plano Safra da Agricultura Empresarial para a temporada 2026/27, com R$ 525,1 bilhões em crédito rural e títulos do agronegócio destinados a médios e grandes produtores. O valor representa um aumento nominal de 2% em relação aos R$ 516,2 bilhões da safra anterior, o equivalente a R$ 8,9 bilhões adicionais. As taxas de juros terão redução de até 1,5 ponto percentual nas linhas de custeio e investimento.
Recursos totais e distribuição
Do montante total, R$ 384,9 bilhões serão direcionados para operações de custeio e comercialização, alta de 7% ante os R$ 414,7 bilhões da safra 2025/26. Já os investimentos somam R$ 140,2 bilhões, um incremento de 38% na comparação com os R$ 101,5 bilhões do ciclo anterior. O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) contará com R$ 72,6 bilhões em juros controlados, ante R$ 69,1 bilhões na temporada passada. Os demais produtores terão R$ 452,5 bilhões disponíveis, a maior parte a juros livres.
Queda nas taxas de juros
Para os grandes produtores, a linha de custeio caiu de 14% para 12,5% ao ano. Os médios produtores enquadrados no Pronamp pagarão 9% ao ano, ante 10% em 2025/26. O RenovAgro e o Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para unidades acima de 6 mil toneladas terão juros de 9,5% ao ano, redução de 0,5 ponto percentual. Já o PCA para armazéns de até 6 mil toneladas terá a menor taxa da agricultura empresarial: 8% ao ano, ante 8,5% na safra anterior. No entanto, o montante destinado à armazenagem caiu 28%, passando de R$ 8,2 bilhões para R$ 5,9 bilhões.
Programas específicos
O Moderfrota, principal programa para máquinas e implementos, sofreu corte de 54% nos recursos, de R$ 12,5 bilhões para R$ 5,8 bilhões. As taxas foram ajustadas: grandes produtores pagarão 12,5% e médios, 11,5% (ante 13,5% e 12,5% na safra anterior). Já o Inovagro, Proirriga e investimento empresarial terão juros de 11,5% ante 12,5%. O Prodecoop e Procap-Agro, voltados a cooperativas, tiveram redução de 1,5 ponto percentual, para 12% ao ano. O RenovAgro Ambiental e para recuperação de áreas degradadas mantiveram os juros em 8,5% ao ano.
Fontes de recursos e equalização
Dos R$ 525,1 bilhões, R$ 194 bilhões virão de financiamentos por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs) a juros livres, com recursos do direcionamento das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e poupança rural. As CPRs passaram a ser incluídas no cômputo do Plano Safra desde o ano passado. Além disso, o montante de recursos equalizados (com subvenção do Tesouro) será de R$ 97 bilhões, valor inferior aos R$ 113,7 bilhões iniciais da safra anterior. O custo orçamentário da subvenção subiu 41%, de R$ 3,9 bilhões para R$ 5,5 bilhões, refletindo o aperto fiscal.
As condições finais ficaram abaixo do pedido do Ministério da Agricultura, que solicitava R$ 570 bilhões totais e taxas de um dígito para todos. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) havia solicitado R$ 518,2 bilhões apenas em linhas tradicionais, sem títulos. Apesar das críticas, o governo espera que a redução de juros estimule o crédito e a produção na próxima safra.