A Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) vai se reunir na quarta-feira (1/7) para revisar as estimativas de desempenho do setor em 2026. Mas a expectativa é que haja uma queda nas vendas de 15% a 20% no ano, em relação a 2025, disse o presidente da Câmara Setorial, Pedro Estevão Bastos. A previsão anterior era de uma queda da ordem de 8%.
“O mercado continua bem difícil e a gente não enxerga nenhum gatilho para que esse cenário melhore no segundo semestre. Amanhã vamos avaliar o Plano Safra 2026/27 e bater o martelo, mas a previsão de queda deve ficar entre 15% e 20%”, afirmou Estevão a jornalistas.
O executivo acrescentou que o mercado de máquinas e implementos agrícolas é afetado pela baixa rentabilidade na agricultura, sobretudo entre produtores de soja e milho. Ele observou que, além dos preços das commodities não darem sinais de recuperação, o câmbio tem penalizado as exportações. Além disso, disse Estevão, o Plano Safra não apresentou nenhum avanço significativo. “Não teve nenhuma mudança, ficou muito parecido ao do ano passado. Não é bom, nem ruim”, afirmou.
Em relação a linhas de financiamento de máquinas agrícolas, o Programa de Modernização da Frota de Tratores (Moderfrota) teve redução no orçamento de R$ 12,5 bilhões na safra passada para R$ 5,8 bilhões na safra 2026/27, mas com redução de 1 ponto percentual nos juros, para 11,5% ao ano no caso do Pronamp, voltado a produtores de médio porte, e de 12,5% ao ano para os demais produtores e cooperativas. Estevão destacou que a redução nos recursos do Moderfrota deve ser compensada pelos recursos do programa Move Agricultura, de R$ 10 bilhões, e com taxa de juros mais baixa, de 9,2% ao ano. Os recursos serão canalizados pela linha gerida pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Desempenho em maio
A indústria de máquinas e implementos agrícolas registrou receita líquida de vendas de R$ 4,59 bilhões em maio, o que representou uma queda de 31% em relação ao mesmo mês do ano passado. A receita líquida de vendas no mercado interno teve queda de 33,8% em maio, para R$ 3,93 bilhões.
As vendas de fábrica de tratores tiveram queda de 16,5% em relação a maio de 2025, para 3.764 tratores. As vendas de fábrica de colheitadeiras tiveram queda de 81,7%, para 41 unidades. As vendas ao usuário final de tratores recuaram 9,5%, para 3.345 unidades, enquanto as vendas no varejo de colheitadeiras caiu 47,1%, para 108 unidades.
Leonardo Silva, coordenador de economia e estatística da Abimaq, observou que o mercado apresenta queda desde o fim do ano passado. “Houve uma melhora em março deste ano, mas as vendas já voltaram a seguir em queda a partir de abril. As fábricas não conseguem alavancar muito”, afirmou Silva.
As exportações de máquinas e implementos agrícolas somaram US$ 132,9 milhões em maio, um incremento de 7,6% em relação a maio de 2025. Em volume, as exportações de tratores cresceram 49,4%, para 783 unidades. Já os embarques de colheitadeiras ficaram estáveis em 13 unidades. As importações, por sua vez, tiveram queda de 6,6%, para US$ 110,7 milhões em maio. O setor encerrou maio com 115.040 pessoas contratadas, número 7,6% inferior à força de trabalho registrada em maio do ano passado.
Acumulado do ano
No acumulado do ano, a receita líquida total de vendas de máquinas e implementos agrícolas atingiu R$ 21,67 bilhões, o que representa uma queda de 21,1% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida de vendas no mercado interno somou R$ 17,97 bilhões no acumulado de janeiro a maio, em queda de 24,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo a Abimaq, o custo elevado do crédito segue limitando tanto a renovação do parque produtivo quanto a expansão da capacidade instalada das empresas. As exportações no acumulado de janeiro a maio totalizaram US$ 715,96 milhões, alta de 17,5% na comparação com o mesmo intervalo de 2025. As importações do setor somaram US$ 501,61 milhões no acumulado do ano até maio, queda de 9%.