Renegociação de dívidas rurais reduz oferta de crédito do Plano Safra 2026/27

Secretários do Ministério da Agricultura afirmaram nesta terça-feira (30/6) que a elaboração do Plano Safra 2026/27 foi diretamente impactada pelas medidas de renegociação de dívidas rurais adotadas recentemente. A prorrogação de operações de crédito rural de produtores afetados por adversidades climáticas no ano passado, por meio da Medida Provisória 1.314/2025, comprometeu R$ 47 bilhões que seriam destinados ao financiamento da nova temporada.

“No ano passado, teve a edição da MP 1.314 e, só por conta daquela renegociação, R$ 47 bilhões foram comprometidos das fontes que estariam irrigando as linhas e cumprindo agora as exigibilidades”, explicou Wilson Vaz, secretário-adjunto de Política Agrícola, durante coletiva de imprensa após o lançamento do Plano Safra.

Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola, acrescentou que o comprometimento dessas fontes dificultou a elaboração das novas linhas de crédito para médios e grandes produtores. “O Plano Safra foi impactado nos recursos equalizados nas renegociações de dívidas que tiveram neste ano e ano passado. Eles têm a mesma origem, que é o Tesouro, quando repactua está comprometendo parte desses recursos com as renegociações”, afirmou.

Com os recursos “travados”, o ministério buscou fontes alternativas para ampliar o volume do Plano Safra. Cerca de R$ 38,5 bilhões virão do programa Move Agricultura, que será criado por medida provisória a ser assinada nesta terça-feira, e do Ecoinvest, voltado para a recuperação de pastagens degradadas, mas que ainda não decolou.

A situação evidencia os desafios do governo em equilibrar a renegociação de dívidas com a necessidade de manter a oferta de crédito rural para a próxima safra.

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