A Organização Internacional do Trabalho (OIT) está em busca de novas parcerias com empresas e entidades do setor agropecuário brasileiro. O diretor da instituição no Brasil, Vinicius Pinheiro, revelou que estão em andamento conversas com segmentos como carne bovina, leite e extrativismo na Amazônia.
“A carne é uma cadeia muito visada, que merece atenção”, afirmou Pinheiro, lembrando que a OIT já atuou anteriormente com o setor em Mato Grosso do Sul. “No leite, estamos com diálogos informais. A cadeia extrativista também é importante. Temos esses três projetos, mas estamos abertos a todos”, completou.
A iniciativa tem como objetivo promover relações de trabalho justas, combatendo o trabalho forçado ou análogo à escravidão e o trabalho infantil, além de incentivar boas práticas de saúde, segurança e negociação coletiva, adaptadas às particularidades de cada cadeia produtiva.
A OIT, agência da ONU, desempenha um papel normativo, estabelecendo regras, convenções e recomendações que, quando adotadas por um país, tornam-se lei. Também oferece assistência técnica para orientar na implementação dessas normas.
No agro brasileiro, a OIT já mantém relações com cadeias como açaí, castanha-do-pará, madeira e vinicultura, além de atuar no cacau em parceria com a World Cocoa Foundation (WCF) nos municípios de Ilhéus (BA) e Medicilândia (PA). Recentemente, no Espírito Santo, a instituição anunciou uma parceria com a Nestlé voltada ao café, com foco em identificar e enfrentar problemas trabalhistas nos estados do Espírito Santo e Bahia, abrangendo recrutamento justo, capacitação, redes de proteção social e diálogo social.
Na cafeicultura, a OIT colabora com a JDE (detentora das marcas Pilão e Caboclo) e com o Ministério Público do Trabalho (MPT). “Esse processo não é específico para uma empresa; pode ser financiado por uma, mas é direcionado às cadeias produtivas”, esclareceu Pinheiro.
“O Brasil é uma potência agropecuária. Então, não tem como não trabalharmos com esse setor”, destacou o diretor. As ações conjuntas com setores público e privado fazem parte da chamada ação integrada da OIT, que inclui diagnósticos, diálogo e medidas efetivas para promover o trabalho decente.