Safra recorde de grãos mantém frete agrícola em alta no Brasil

As projeções para uma safra recorde de grãos continuam impulsionando os preços do transporte rodoviário de produtos agrícolas nas principais rotas do país. De acordo com boletim divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o mercado de fretes segue aquecido mesmo após o fim do pico de escoamento de culturas da primeira safra, como a soja.

O superintendente de logística operacional da Conab, Thomé Guth, afirmou que a expectativa era de queda nos preços com a redução da demanda, mas os valores se mantiveram elevados, próximos aos registrados no auge da safra, entre fevereiro e março. A produção recorde de soja, com aumento de 8,8 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, sustenta a demanda por transporte de grãos.

Em maio, os preços dos fretes agrícolas apresentaram comportamentos distintos entre os estados. Em Mato Grosso, principal produtor de grãos, as variações foram pontuais e próximas da estabilidade, com valores ainda elevados. No Distrito Federal e no Maranhão, os fretes subiram impulsionados pelo escoamento de soja e milho. No Paraná, oscilaram devido à alta do diesel S-10 e à forte demanda sobre a infraestrutura rodoviária.

Por outro lado, Goiás, Bahia, Piauí e São Paulo registraram recuo nos preços. Em Goiás e na Bahia, a desaceleração refletiu o fim da colheita da soja e o período antes da segunda safra de milho. No Piauí, a queda foi influenciada pela redução de 22% nas exportações de soja. Em São Paulo, os fretes caíram com a redução dos custos do diesel e o enfraquecimento da demanda industrial.

A Conab também informou que os embarques acumulados de milho até maio somaram 7,5 milhões de toneladas, contra 6,1 milhões no mesmo período de 2025. Já as exportações de soja alcançaram 55,1 milhões de toneladas no acumulado do ano até maio.

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