A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), maior cooperativa de café do mundo, informou que a colheita de café atingiu apenas 24,9% da área cultivada pelos cooperados até 28 de junho. Esse é o menor nível registrado desde 2018 para o período. No mesmo intervalo do ano passado, o índice era de 31,4%, o que representa um atraso de 17,4 pontos percentuais em relação a 2024.
As chuvas intensas em Minas Gerais estão comprometendo os trabalhos nas lavouras. Na região das Matas de Minas, a colheita alcança 30% da área plantada; no Sul de Minas, 29,8%; em São Paulo, 26,5%; e no Cerrado Mineiro, apenas 16,2% — o menor índice entre as regiões monitoradas.
O levantamento semanal da Cooxupé acompanha mais de 22 mil produtores cooperados no Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas e Média Mogiana (em São Paulo). A Expocacer, segunda maior cooperativa exportadora de café do Brasil, também reportou atraso: sua colheita atingiu 27% da área plantada até 26 de junho, ante 35% no mesmo período da safra passada.
De acordo com boletim técnico da Expocacer, as chuvas atrasaram a colheita e o beneficiamento do café na quarta semana de junho, com registro de queda de 25% dos frutos, aumentando o volume de “café de chão”. Isso pode comprometer a produtividade e a qualidade de parte dos lotes.
Dados da Somar Meteorologia mostram que Minas Gerais registrou 31,3 mm de chuva na semana encerrada em 28 de junho, volume 1.956% acima da média histórica para o período. O atraso na colheita do café arábica brasileiro tem sustentado os preços internacionais da commodity nas últimas duas semanas, somado às preocupações com o impacto do El Niño na próxima safra. A NOAA estima 67% de probabilidade de um “Super El Niño” este ano.