A China lançou nesta quarta-feira (1º/7) o Guia para a Cadeia de Suprimento Sustentável de Soja Brasil-China, um protocolo de sustentabilidade voltado para a importação da oleaginosa produzida no Brasil. O anúncio ocorreu durante a 17ª Conferência Internacional de Cereais e Óleos da China (CCOC17), promovida pela Câmara de Comércio de Importação e Exportação de Alimentos, Produtos Nativos e Subprodutos Animais da China (CFNA), em Xangai.
O documento foi elaborado pela CFNA em parceria com o Instituto de Recursos Mundiais (WRI) e instituições brasileiras e chinesas, incluindo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja MT, participou do lançamento oficial e celebrou os avanços alcançados.
“Foram dois anos trabalhando com a CFNA. O resultado foi uma baita conquista para a Aprosoja MT”, afirmou Bier. Ele destacou que a versão original do guia trazia diretrizes baseadas na lógica do desmatamento zero, com critérios de sustentabilidade que extrapolavam a legislação brasileira – como os previstos na Moratória da Soja. A associação mato-grossense liderou um intenso diálogo técnico para que a avaliação da sustentabilidade respeitasse o Código Florestal Brasileiro.
De acordo com o Código Florestal de 2012, no bioma Amazônico, o proprietário pode usar apenas 20% da área, sendo obrigado a preservar os 80% restantes. Já a Moratória da Soja, da qual a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e 19 empresas saíram em janeiro de 2026, proibia a compra de soja cultivada em áreas desmatadas na Amazônia a partir de 2008 – mesmo quando o desmate era legal.
O guia chinês agora reconhece expressamente a legislação brasileira como principal referência para avaliar a legalidade e a sustentabilidade da produção. Também passou a aceitar instrumentos oficiais como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), as autorizações de desmate e demais mecanismos previstos na lei brasileira. Além disso, incorporou o Programa Soja Legal, desenvolvido pela Aprosoja MT, como estudo de caso de boas práticas em conformidade socioambiental.
“A sustentabilidade da produção brasileira precisa ser avaliada com base na nossa legislação, que é a mais rigorosa do mundo. O diálogo técnico mostrou que é possível construir referências internacionais que respeitem a legislação brasileira e reconheçam o compromisso dos produtores com a produção responsável. Esse é um passo importante para fortalecer a confiança entre Brasil e China”, ressaltou Bier.
A Aprosoja MT prevê assinar no dia 6, em Pequim, um memorando de entendimento para operacionalizar um programa de rastreabilidade da produção. O novo protocolo representa um marco nas relações comerciais entre os dois países, ao alinhar exigências ambientais globais com a realidade jurídica do Brasil.