Olivicultura paranaense ganha impulso com aumento de áreas cultivadas e produção de azeite

Já consolidada no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo, a olivicultura começa a se expandir também no Paraná. Atualmente, o estado conta com 140 hectares dedicados ao cultivo comercial e experimental de oliveiras, e a expectativa é de crescimento nos próximos anos.

Esse número representa o dobro da área cultivada há uma década, quando os plantios comerciais começaram a ganhar escala. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), entre 2017 e 2021 novos produtores ingressaram na atividade, elevando a área para 100 hectares. Agora, a meta é que, em médio prazo, os consumidores tenham acesso a um portfólio de azeites paranaenses, afirma Laís Adamuchio de Oliveira, assessora estadual de projetos do IDR-Paraná.

Entre os produtores que apostam no setor está Márcio Thomaz, de Irati. Ele implantou um pomar em 2020 com 6 mil pés de oliveiras em 18 hectares, utilizando mudas de oito variedades. Com plantio e produção escalonada, colheu os primeiros frutos em 2025: cerca de 3 mil quilos, que renderam 500 litros de azeite experimental. “Este ano promete, porque o clima está ajudando”, projeta. Thomaz investiu na construção de um lagar e aguarda liberação do Ministério da Agricultura para comercializar o Azeite Cruz de Malta, nome de sua propriedade. Até o momento, todo o investimento foi com recursos próprios. “Esperamos a comprovação de que a região é propícia para a olivicultura, a fim de obter acesso a linhas de crédito”, diz.

De acordo com o IDR-Paraná, 69 municípios do estado são aptos ao cultivo de oliveiras. As condições exigidas combinam altitudes entre 800 m e 1.200 m e acúmulo de 400 a 1.000 horas de frio (temperaturas abaixo de 12,5°C) entre abril e julho – fator essencial para floração. Em junho, o instituto, em parceria com a Embrapa, lançou um boletim técnico com riscos climáticos, épocas de plantio e cultivares mais adaptadas. Além disso, solicitou ao Ministério da Agricultura o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura, o que pode viabilizar crédito aos produtores – será o primeiro Zarc para olivicultura no Brasil.

Laís Adamuchio destaca que o boletim preenche uma lacuna importante: a falta de informações regionalizadas. “Os materiais genéticos recomendados têm foco na produção de azeite. A meta é que os produtores apostem em produção autoral, com certificação, pois identificamos mercado para isso”, acrescenta. Outro projeto prevê a criação de uma rota de turismo rural nas regiões olivícolas.

Segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o Brasil produz pouco mais de 1% do azeite consumido internamente – cerca de 100 milhões de litros anuais. O restante é importado, principalmente da Europa, Argentina e Chile.

Apesar do entusiasmo, Marcos Wrege, pesquisador da Embrapa Florestas, alerta para desafios: “No Brasil, as condições para o cultivo de oliveiras são marginais, não como no Mediterrâneo”. Ele defende um amplo programa de melhoramento genético para aumentar a produtividade. “Todo o material genético que utilizamos vem da Europa, e isso não é o ideal”.

Outro produtor, João Thadeu Loureiro, de Palmas, cultiva oliveiras há cinco anos e tem 9 hectares plantados, com planos de chegar a 12. Com 2 mil pés de quatro variedades, comemorou a primeira produção de azeitonas em 2025, resultando em cerca de 100 litros de azeite. Sua meta é produzir 5 mil litros em dois anos. A extração é feita em Campo Erê, Santa Catarina. “Esperamos em breve comercializar o azeite da marca Família Loureiro”, conclui.

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