A agência de classificação de risco Moody’s decidiu manter a nota corporativa familiar (CFR) Ba3 para a André Maggi Participações (Amaggi), assim como o rating Ba3 das notas seniores quirografárias com vencimento em 2028, emitidas pela Amaggi Luxembourg International e garantidas pela controladora. No entanto, a perspectiva foi alterada de “em revisão para rebaixamento” para “negativa”.
A mudança ocorre após a Amaggi concluir, no início de julho de 2026, a aquisição de 40% da FS, produtora de etanol de milho. A operação será financiada com novo endividamento, o que elevou as preocupações da Moody’s sobre a capacidade da empresa de manter seu perfil de crédito diante do aumento da alavancagem e do refinanciamento de títulos de US$ 750 milhões com vencimento em janeiro de 2028.
De acordo com a Moody’s, a perspectiva negativa reflete a pressão crescente sobre o perfil de crédito da Amaggi nos próximos 12 a 18 meses. A estimativa é que a alavancagem possa atingir entre 4,5 e 5 vezes o EBITDA no curto prazo, patamar superior ao limite de 3,75 vezes considerado compatível com o rating Ba3. A empresa já emitiu aproximadamente US$ 700 milhões em Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-F) para atender a necessidades de refinanciamento, capital de giro e investimentos, além de ter cancelado cerca de US$ 95 milhões de sua emissão de bonds.
A agência também destaca a forte dependência da Amaggi de instrumentos de financiamento de curto prazo, como ACCs e linhas de trade finance, o que torna crucial a manutenção de flexibilidade financeira. “Qualquer piora nas condições de mercado ou no sentimento dos investidores poderia elevar os custos de refinanciamento ou reduzir o acesso à liquidez”, alertou a Moody’s em relatório.
Embora a aquisição da FS represente um movimento de diversificação e maior exposição ao segmento de etanol de milho, a Moody’s avalia que não há perspectiva de melhora no perfil operacional da Amaggi no curto prazo. “As sinergias operacionais esperadas nas áreas de originação de grãos, logística e coordenação comercial são modestas e não melhorarão significativamente as métricas de crédito no curto prazo. A longo prazo, a transação poderá beneficiar as métricas de crédito da Amaggi, dependendo do desempenho sustentado da FS, da dinâmica das margens de etanol e da execução bem-sucedida de sua estratégia mais ampla de crescimento”, concluiu a agência.