Pesquisa brasileira desenvolve alimentos para futuras missões espaciais

A missão Artemis II, realizada em abril de 2026, marcou o retorno de voos tripulados ao redor da Lua após mais de 50 anos. Durante a jornada, os dez tripulantes da espaçonave Orion testaram equipamentos e coletaram dados essenciais para os planos da Nasa de estabelecer uma presença humana sustentável na Lua e, futuramente, enviar humanos a Marte. Mas um episódio inesperado chamou a atenção: um pote de Nutella flutuando dentro da cápsula. O fato gerou discussões sobre a alimentação dos astronautas e o que será servido em missões de longa duração.

No Brasil, a Rede Space Farming Brasil — parceria entre a Embrapa e a Agência Espacial Brasileira (AEB) — lidera pesquisas para desenvolver alimentos que possam ser produzidos no espaço. Criada em 2022, a rede reúne 24 instituições, cerca de 60 pesquisadores e centenas de bolsistas do CNPq. Os estudos abrangem desde fisiologia vegetal até bioengenharia, com experimentos em laboratórios da USP e da UFPel, analisando radiação e estresse em plantas.

O chef Jefferson Rueda, do restaurante Casa do Porco (um dos 100 melhores do mundo), foi convidado pela Embrapa para contribuir com criatividade culinária. Ele participa de congressos e desenvolve receitas que unem tecnologia e conforto emocional para astronautas. Sua primeira criação foi um sonho recheado com creme de grão-de-bico. “Imagina ficar meses longe de casa. A comida precisa acolher”, afirma Rueda.

A coordenadora da rede, Alessandra Fávero, destaca que missões longas não podem depender apenas de alimentos desidratados. “Em algum momento, será necessário produzir nesses ambientes.” As pesquisas brasileiras buscam autonomia alimentar, redução de custos e produção em ambientes extremos, abrindo caminho para a colonização espacial.

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