Galo Muttley: o ciclista emplumado que acompanha o tutor em passeios de bike no RS

A orla do Rio Guaíba, em Porto Alegre, é um tradicional ponto de lazer nos finais de semana, onde moradores praticam esportes. Há alguns meses, os frequentadores ganharam uma companhia inusitada: um “galo ciclista”. Com oito meses de idade, o galo Muttley – nome inspirado no cachorro do personagem Dick Vigarista, do estúdio Hanna Barbera – foi treinado por quatro meses para acompanhar o técnico de enfermagem Silvio Goes em seus passeios de bicicleta.

O “ciclista emplumado” já participou até de procissões religiosas na bike, onde fica acomodado em um cestinho, às vezes usando acessórios como gravatinha ou terço. Em seu sítio no bairro Ponta Grossa, Goes cria galinhas de pequeno porte e cabritos por “terapia”, como forma de desestressar da rotina hospitalar. “Em troca eles me ajudam, cortando a grama, comendo animais peçonhentos, e agora também participando do meu lazer”, diz.

A relação de Goes com o ciclismo começou com as enchentes de maio de 2024, quando o acesso à sua casa ficou 17 dias interditado. Para se locomover, passou a usar uma bicicleta do avô, fabricada em 1910. “Chamo ela de ‘relíquia centenária’, sem marchas, sem amortecedor, bem pesadinha. Mas foi assim que comecei a pedalar e me viciei”, lembra. Depois, investiu em uma bike moderna e, em 2025, entrou para o clube Pedalegre. A ideia de ter um parceiro pet surgiu após um cachorro acompanhar o grupo por dois quilômetros em um evento noturno.

Inicialmente, Goes pensou em adotar um cachorro ou uma cabra, mas decidiu treinar uma das galinhas. A primeira foi a galinha Pedaléguas, que estreou em fevereiro de 2026. No entanto, em março, ela pôs um ovo no cestinho durante um passeio. Como os ovos não eram férteis, Goes colocou dois ovos de galinha caipira no ninho, que eclodiram em abril. Quando percebeu que a parceira entraria em “licença maternidade”, começou a treinar o irmão dela, Muttley. “Foi muito mais fácil treiná-lo e ele é bem mais receptivo ao carinho das pessoas”, comenta.

O treinamento envolve carinho e cuidado para que os animais se sintam seguros. Goes sempre carrega água e ração, e faz pausas para que as aves não se estressem. Agora, ele está treinando a cabra Santana para acompanhá-lo em um reboque acoplado à bicicleta. Para isso, pedalou 92 quilômetros (ida e volta) com Muttley até a fábrica que fez a estrutura para uma cachorra, encomendando uma carretinha para a cabrita.

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