Agricultores cubanos estão buscando vender suas terras a preços baixos após o bloqueio de combustível imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comprometer colheitas e até deixar parte da produção apodrecer no campo. Segundo reportagem do Financial Times, a ilha vem passando por apagões que duram até 22 horas por dia desde que ficou sem petróleo e diesel em virtude do fim de quase todos os embarques determinados pela administração Trump.
Sem eletricidade e combustível, agricultores cubanos não conseguem irrigar produções, movimentar tratores ou transportar produtos, o que leva muitos a colocarem suas fazendas à venda em redes sociais, diz o jornal. Mesmo reduzindo os preços pedidos para terras e bens, eles têm dificuldade em vender, tendo em vista a pobreza e a baixa renda do país.
Propriedades rurais voltadas ao turismo também penam para manter atividades por causa da falta de combustível. Em fazendas estatais de manga, as frutas apodrecem por falta de transporte, afirma a reportagem.
No mês passado, o presidente do país, Miguel Díaz-Canel, anunciou, entre outras medidas de um pacote de reformas econômicas, a alteração de que a caderneta de racionamento estatal, existente desde 1962, deixará de ser distribuída universalmente. Isso significa que, com exceção de aposentados, crianças com doenças crônicas e outras pessoas vulneráveis que continuarão tendo direito a alimentos, todos os demais terão de pagar preços muito mais altos em mercados ou depender de alimentos enviados por parentes no exterior por meio de plataformas on-line.
Mesmo as entregas das plataformas não são garantidas, já que o transporte de produtos do centro de distribuição em Havana para o interior está prejudicado por falta de diesel, de acordo com a reportagem. Desde que Trump capturou o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, também cortou o fornecimento de energia do país para Cuba e ameaçou impor sanções contra qualquer outro país que forneça petróleo à ilha. O governo cubano reagiu, anunciando reformas e prometendo uma reformulação de seu modelo econômico, conforme o Financial Times.