O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da operação do grupo americano Hormel no Brasil – que inclui a tradicional marca de frios e embutidos Ceratti – pela Zanchetta Alimentos. A decisão foi formalizada no Despacho SG nº 916, de 10 de julho, assinado pelo superintendente-geral interino Felipe Leitão Valadares Roquete e publicado no Diário Oficial da União.
O negócio havia sido anunciado no fim de junho e envolve a aquisição, pela Zanchetta, de todas as quotas representativas do capital social da Hormel Brasil e suas subsidiárias integrais, incluindo a Ceratti.
Em seu parecer, Roquete destacou que a participação conjunta das empresas no mercado com sobreposição horizontal – produção e comercialização de alimentos processados, especialmente salsicha – fica abaixo de 20%, patamar a partir do qual se considera posição dominante. Já nos mercados verticalmente integrados (produção e comercialização de carne bovina e de frango in natura e processada), a participação de cada parte fica dentro de 30%, limite a partir do qual se presume capacidade de fechamento de mercado. “A operação não possui o condão de acarretar prejuízos ao ambiente concorrencial”, afirmou Roquete.
Na ocasião do anúncio, o grupo Zanchetta informou que a aquisição da Ceratti marca sua entrada no segmento de suínos, ampliando o portfólio multiproteína com produtos processados de alto valor agregado. A Ceratti possui uma fábrica em Vinhedo (SP). Os valores do negócio não foram divulgados, mas o parecer do Cade aponta que tanto o grupo Zanchetta quanto a Hormel Brasil tiveram faturamento superior a R$ 750 milhões no ano passado.