IA revoluciona análise de solo com foco em microbiologia e acessibilidade

Uma nova ferramenta de inteligência artificial promete transformar a análise de solo no agronegócio brasileiro, tornando o diagnóstico microbiológico mais rápido e acessível para produtores de todos os portes. Desenvolvida pela startup brasileira Biome4All, a plataforma Biostart utiliza uma base de dados com 14 mil amostras de solo de diferentes regiões e cultivos do país para traçar um perfil detalhado do terreno e mapear riscos relacionados à nutrição e à presença de patógenos.

A engenheira agrônoma Luísa Bastos Domingos, que já utilizava IA em suas análises, adotou o Biostart em seu projeto de produção de abacates na Serra da Mantiqueira (SP). Segundo ela, a ferramenta permitiu integrar dados físico-químicos com informações microbiológicas de forma muito mais eficiente. “Nenhuma das IAs que usei até hoje me entregou análises de forma tão rápida e tão detalhada”, afirma. Ela destaca que a assertividade do sistema superou a de outras plataformas como ChatGPT e Claude, especialmente por comparar dados locais com a base nacional.

Leonardo Gomes, diretor-presidente da Biome4All, explica que o objetivo é oferecer um pré-diagnóstico para direcionar análises mais aprofundadas apenas para os talhões mais críticos. “Usamos dados físico-químicos para identificar onde estão os maiores riscos e sermos muito mais cirúrgicos para realizar a análise microbiológica nos pontos de maior preocupação”, diz. A tecnologia correlaciona propriedades do solo para prever quais microrganismos estão presentes ou em deficiência, permitindo que o produtor priorize áreas problemáticas sem precisar de uma análise microbiológica completa – que pode custar até 10 vezes mais.

O Biostart estará disponível gratuitamente nos primeiros meses após o lançamento e, depois, terá um custo de R$ 39 por análise. A expectativa da Biome4All é ampliar sua base de clientes de 6 mil para 9 mil produtores, quebrando barreiras econômicas e operacionais. “O que a gente está fazendo é um primeiro nível de informação, introduzindo um serviço acessível para o pequeno, médio, grande produtor de qualquer sistema de cultivo”, resume Gomes.

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