Seguradoras criticam uso de recursos para renegociação de dívidas em vez de seguro rural

O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Dyogo Oliveira, classificou como “burrice” a alocação de recursos públicos para renegociação de dívidas rurais em vez de investir no seguro rural. A declaração foi feita durante evento sobre seguro rural organizado pela Meridiana, FGV-Agro e Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília.

Para Oliveira, o problema não é a falta de dinheiro, mas a decisão de onde aplicá-lo. “É uma escolha do governo aportar verba em renegociações de dívidas geradas, geralmente, por problemas climáticos, mesmo que essas medidas sejam mais caras para a União”, afirmou. Ele destacou que, embora as renegociações sejam necessárias para evitar a quebra da agricultura, o ideal seria prevenir o endividamento com uma gestão de risco eficiente, como o seguro rural.

O executivo também criticou o que chamou de “inteligência alocativa” dos recursos, apontando que as renegociações não entram no resultado primário, o que incentiva o governo a adiar soluções. “Tem um pouco de malandragem nisso também”, disse Oliveira, que já foi ministro do Planejamento.

A senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS), concordou com a avaliação. “É burrice, não tem lógica”, afirmou. Ela defendeu a aprovação do projeto de lei 2.951/2024, que atualiza o marco legal do seguro rural, mas ressaltou que a lei é apenas o início de uma mudança cultural necessária entre os produtores.

Mônica Sodré, CEO da Meridiana, destacou que apenas 3% da área agrícola do país é segurada, o que expõe uma parte significativa da economia a condições inadequadas. “O risco climático não é assunto apenas de quem abraça árvores; é uma conversa sobre economia”, afirmou.

Já Tânia Zanella, presidente-executiva da OCB e do Instituto Pensar Agropecuária, informou que o setor trabalha em uma proposta de nova política agrícola, que incluirá o seguro rural, a ser apresentada aos candidatos à Presidência nas próximas eleições. “Queremos buscar o compromisso dos presidenciáveis para mudar essa realidade”, concluiu.

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