Entidades alertam para riscos do aumento de etanol na gasolina sem testes prévios

Quatro entidades representativas do setor de combustíveis divulgaram uma nota técnica manifestando preocupação com a aprovação do aumento do percentual de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, decidido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida foi anunciada na segunda-feira (13/7) e gerou alerta entre as organizações, que apontam a falta de estudos e testes concluídos como um risco para parte da frota de veículos leves.

Segundo as entidades — Brasilcom, Fecombustíveis, SindTRR e Abicom —, cerca de 15% dos carros em circulação no país não são dotados de motores flex fuel, capazes de operar tanto com etanol quanto com gasolina. O primeiro veículo flex foi lançado em 2003, o que significa que todos os automóveis fabricados antes desse ano, além de veículos importados, não são bicombustíveis. Também estão nesse grupo embarcações de pequeno porte e motocicletas movidas exclusivamente a gasolina.

As entidades destacam que o aumento na proporção de etanol pode afetar o desempenho, a durabilidade de peças e os custos de manutenção desses veículos, com impacto significativo para os usuários. Além disso, defendem que a elevação da mistura exige testes específicos para garantir a viabilidade técnica e a segurança da operação.

Outro ponto levantado é o potencial aumento do consumo específico de combustível devido à maior participação do etanol, o que elevaria os gastos do consumidor para percorrer a mesma distância. As organizações pedem que a política pública de biocombustíveis seja conduzida com previsibilidade, segurança jurídica, base científica e diálogo institucional, respeitando os ritos técnicos e regulatórios previstos em lei.

A resolução do CNPE determina que o teor de 32% de etanol terá vigência de 180 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. O governo estima que a medida permitirá ao Brasil deixar de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano. As entidades também manifestaram preocupação com a eventual elevação do biodiesel no diesel fóssil, mas o CNPE não votou esse aumento.

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