O fenômeno El Niño já começou a impactar o clima no Sul do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A partir de quinta-feira (16/7), o aumento da umidade em baixos níveis da atmosfera e a formação de instabilidades podem provocar temporais, especialmente no Rio Grande do Sul.
De acordo com o Inmet, durante episódios de El Niño ocorre o fortalecimento dos jatos de baixos níveis, correntes de vento que transportam umidade da região tropical para o Sul. Além disso, um sistema de alta pressão estabelece um bloqueio atmosférico sobre o Centro-Oeste e o Sudeste, dificultando o avanço de sistemas transientes. Como resultado, a umidade permanece concentrada no Sul, aumentando a persistência e os volumes de chuva.
Diante desse cenário, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu um alerta de tempo severo a partir de quinta-feira, com risco de temporais, chuva intensa, ventos fortes, granizo e descargas elétricas. Os temporais devem ser mais intensos no fim de semana, mas a previsão não descarta a continuidade no início da próxima semana. O sistema também pode provocar pancadas de chuva no centro-sul de Santa Catarina.
O El Niño está em atividade desde junho, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). Há 81% de chance de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro. A intensidade não significa necessariamente impactos mais fortes, mas torna os efeitos esperados mais prováveis. A NOAA também aponta 97% de probabilidade de o El Niño persistir até o início de 2027.
O último episódio de El Niño, entre 2023 e 2024, foi marcado por chuvas intensas que causaram enchentes calamitosas no Rio Grande do Sul. No restante do Brasil, o fenômeno tende a reduzir as chuvas no Norte e Nordeste e aumentar as temperaturas e chuvas no Sudeste e Centro-Oeste.
Foto: Defesa Civil do Rio Grande do Sul emitiu alerta de tempo severo — Crédito: Gilson Abreu/AEN