O governo dos Estados Unidos anunciou a isenção de todos os tipos de café do Brasil da sobretaxa de 25% que seria aplicada a produtos importados do país. A medida, divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em 15 de julho de 2026, foi recebida com entusiasmo por entidades do setor cafeeiro nacional.
O destaque ficou por conta da inclusão do café solúvel não aromatizado na lista de exceções, que inicialmente não estava prevista. A ampliação foi resultado de articulação conjunta entre a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), com apoio da National Coffee Association (NCA) e de importadores americanos.
Em comunicado, as entidades destacaram que a decisão representa duas vitórias: a manutenção dos cafés já listados como isentos e a adição do solúvel não aromatizado. Segundo o USTR, o Brasil é o maior produtor mundial de café, incluindo o solúvel não aromatizado, que não é fabricado nos EUA. O órgão argumentou que não há justificativa comercial para tratar de forma diferente o café solúvel aromatizado e o não aromatizado, pois isso poderia gerar distorções no mercado.
Com a isenção, o café verde e os cafés industrializados brasileiros — incluindo o solúvel e seus subprodutos — ficam protegidos da tarifa de 25% para entrada nos EUA. As exportações brasileiras de café para o país giram entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano, tornando os EUA o maior consumidor e importador mundial do produto.
As associações lembraram, no entanto, que ainda há uma segunda investigação do USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que pode resultar em tarifas de até 12,5% sobre o café brasileiro. As entidades afirmaram que continuarão atuando para defender a sustentabilidade, a qualidade e a competitividade dos cafés do Brasil no mercado global.