O setor de máquinas agrícolas brasileiro sentirá pouco os efeitos da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 22 de julho. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), as exportações de tratores e colheitadeiras para o mercado americano representaram apenas 0,65% do faturamento do setor em 2025.
No ano passado, o Brasil importou R$ 383 milhões em máquinas dos EUA e exportou R$ 113 milhões para o país norte-americano. “A balança comercial de máquinas agrícolas com os Estados Unidos é favorável a eles”, afirmou Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq.
Outro fator que reduz o impacto é a isenção concedida aos setores de carne e café, que possuem mercados internos e de exportação de grande porte. “Caso houvesse taxação, teria impacto nas vendas internas de máquinas”, completou Bastos.
Apesar do efeito limitado sobre as máquinas agrícolas, o presidente da câmara setorial lamentou a medida, que fecha um potencial mercado de crescimento. “Se alguém pensa em aumentar exportação de máquinas para lá, não conseguirá”, ressaltou.
Já para a indústria de máquinas em geral, a decisão do governo americano gera preocupação. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. Em 2025, as vendas para o país somaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as importações dos EUA chegaram a US$ 4,8 bilhões. “A elevação de tarifas tende a aumentar custos, reduzir competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo efeitos que vão além da relação comercial bilateral”, afirmou a Abimaq em nota.