A uva é a fruta de maior relevância ausente da lista de isenções das novas tarifas dos EUA, segundo análise da pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) Margarete Boteon. A maioria das frutas brasileiras exportadas para os Estados Unidos foi isenta da sobretaxa de 25% anunciada na quarta-feira (15/7) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
No entanto, a uva ficou de fora. O impacto imediato, porém, tende a ser mais restrito do que em outros setores, explica a pesquisadora. “As exportações brasileiras de uva para os Estados Unidos já vinham perdendo competitividade desde a tarifação anterior, reduzindo significativamente a participação desse destino nas vendas externas da fruta. Embora o mercado norte-americano representasse uma importante janela comercial no início do segundo semestre, a Europa continua sendo o principal destino da uva brasileira”, disse, em nota.
De forma geral, o cenário é relativamente favorável para o setor de hortifrutis. A maior parte das frutas tropicais, dos cítricos, do suco de laranja e de outros derivados isentos limita os efeitos diretos da medida sobre a cadeia hortifrutícola. “Ainda assim, o setor deverá acompanhar atentamente a publicação definitiva dos códigos tarifários, especialmente no caso da uva e de outros produtos que permaneceram fora da lista de isenções”, reforça a pesquisadora.
— Foto: Fábio Ribeiro dos Santos/Embrapa