Azeite brasileiro conquista prêmios no exterior, mas ainda luta por reconhecimento no mercado interno

Produzido em escala ainda pequena, o azeite brasileiro vem acumulando medalhas em competições internacionais, mas enfrenta o desafio de conquistar o consumidor nacional. De acordo com pesquisa conduzida pelo professor Paulo Renato de Sousa, da Fundação Dom Cabral (FDC), o Brasil, embora seja o segundo maior consumidor mundial de azeite — atrás apenas dos Estados Unidos —, ainda desconhece as qualidades e os benefícios do óleo de oliva produzido no país.

Na 11ª edição do EVO IOOC Italy, realizada em junho de 2026, produtores brasileiros obtiveram 98 medalhas de ouro e 29 de prata entre 139 amostras enviadas. O concurso reuniu participantes de países como Líbia, Estados Unidos, Grécia, Espanha, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Turquia, Tunísia e Itália. O reconhecimento internacional motivou o estudo de Sousa sobre a cadeia produtiva e o comportamento do consumidor.

Para o pesquisador, o diferencial do azeite brasileiro está na sua produção artesanal, que preserva características próximas ao estado natural da azeitona, evitando processos industriais extensos comuns em azeites importados. “O azeite brasileiro é como o ‘suco da azeitona’. Quando você prova um de qualidade, percebe uma diferença enorme”, afirma.

No entanto, transformar esse reconhecimento em preferência de compra ainda é um obstáculo. Sousa observa que o consumidor brasileiro costuma escolher o azeite com base na acidez indicada no rótulo, um critério químico difícil de avaliar. “Questões como sustentabilidade e origem ainda não são decisivas. A indústria é muito nova, com menos de 20 anos, e os olivais levam anos para atingir plena produção”, explica.

A falta de informação também abre espaço para fraudes, um dos problemas mais graves do setor. O azeite é um dos produtos mais falsificados do mundo, e lotes adulterados são frequentemente retirados do mercado. Sousa exemplifica com azeites rotulados como de origem alemã: a Alemanha não produz azeite em escala relevante, apenas compra, mistura e redistribui. “Um preço muito baixo deve levantar suspeitas. A cadeia produtiva é complexa e depende de fatores como altitude, clima e época de colheita.”

Apesar dos desafios, o professor vê um futuro promissor. O espírito colaborativo entre os produtores e a busca constante por qualidade são diferenciais que podem impulsionar o setor. “Quando o consumidor experimenta um azeite brasileiro de qualidade, dificilmente volta atrás — é como um bom vinho ou queijo”, conclui.

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