Robótica agrícola pode suprir escassez de mão de obra no campo, aponta pesquisador chinês

O uso de robôs na agricultura deve se intensificar nos próximos anos como forma de compensar a falta de trabalhadores rurais. A opinião é do pesquisador Wen-Hao Su, da Universidade Agrícola da China, que participou do 11º Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão e Digital (ConBAP) e da 17ª International Conference on Precision Agriculture (ICPA), em Porto Alegre.

Segundo Wen-Hao, o custo elevado das tecnologias ainda é uma barreira, mas tende a cair com a maior adoção e o surgimento de novas soluções. Na China, robôs já são usados em larga escala em diversos setores do agronegócio, com regulamentações governamentais que incentivam a inovação.

“Muitos agricultores chineses têm cerca de 60 anos ou mais. As novas gerações não se interessam pela agricultura. Se, nos próximos dez anos, não ampliarmos o uso de robôs agrícolas, haverá grave falta de trabalhadores no campo”, alerta o pesquisador.

O governo chinês investe pesado em pesquisa, desenvolvimento e formação de engenheiros especializados em robótica agrícola. Universidades criam cursos específicos e substituem programas ultrapassados. “Precisamos formar engenheiros que desenvolvam robôs para substituir parte da mão de obra humana. É uma estratégia central: investir na nova geração, desenvolver tecnologia e transferi-la para as empresas que apoiam os agricultores”, explica.

Wen-Hao reconhece que pequenos agricultores não têm recursos para comprar robôs, mas surgem empresas de serviços especializados. Elas adquirem e mantêm os equipamentos, cobrando por hora de uso. “Esse modelo elimina a necessidade de contratar trabalhadores e permite usar máquinas para aumentar eficiência e obter melhores resultados”, destaca.

Filho de agricultores, o pesquisador compartilhou sua experiência familiar com o controle manual de ervas daninhas, com herbicidas. “É um método arriscado à saúde, exige muita mão de obra e tem baixa eficiência. Meu sonho é mudar a vida da minha família e tornar as lavouras altamente tecnológicas”, afirma.

Como exemplos, ele cita drones que identificam e colhem frutas maduras (maçã, morango, uva) e câmeras que detectam doenças. Na pecuária, robôs atuam na piscicultura (alimentação e monitoramento) e em aviários (controle de crescimento, coleta de ovos).

Para o Brasil, Wen-Hao aponta a necessidade de equilibrar tamanho e peso das máquinas com as condições do solo, especialmente no Centro-Oeste, onde a umidade pode dificultar o trabalho de equipamentos pesados. “No futuro, as máquinas serão mais potentes, mas muito mais compactas, assim como os computadores se tornaram menores e mais leves”, conclui.

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