Tensões entre Rússia e Ucrânia elevam preço do trigo em Chicago; soja e milho também sobem

Rússia e Ucrânia respondem por mais de um quarto das exportações globais de trigo — Foto: Divulgação Sinditrigo-SP

O preço do trigo registrou forte alta nesta quarta-feira (22/7) na bolsa de Chicago, impulsionado pelo aumento das tensões geopolíticas entre Rússia e Ucrânia. Os contratos com vencimento em setembro de 2026 subiram 4,17%, cotados a US$ 7,0825 o bushel.

O agravamento do conflito nos últimos dias provocou danos à infraestrutura portuária no Mar Negro e no Mar de Azov, exatamente no período de colheita e escoamento do cereal na região. Juntos, os dois países respondem por mais de um quarto das exportações mundiais de trigo.

Na bolsa Euronext de Paris, o trigo atingiu o maior nível em dois anos, com alta de até 4,4%, para €245 (aproximadamente US$ 279,47) por tonelada.

Na terça-feira (21/7), a Rússia proibiu a ancoragem de embarcações nos portos do Mar de Azov e de Kavkaz, no leste do Mar Negro, áreas sem sistemas organizados de defesa aérea. Segundo a agência Bloomberg, o Ministério da Defesa russo afirmou que continuou os ataques a portos ucranianos, enquanto a Ucrânia lançou ataques com drones contra armazéns da Wildberries, maior plataforma de comércio eletrônico da Rússia.

As preocupações com a oferta se intensificaram após a SovEcon reduzir em 0,7% sua projeção para a safra de trigo da Rússia em 2026/27, citando perspectivas mais fracas no sul do país e menor área de cultivo de primavera. As exportações russas de trigo em julho são estimadas em cerca de 1,5 milhão de toneladas, volume aproximadamente um terço menor que o registrado no mesmo período de 2025 e o menor para o mês desde 2017, segundo a Futures International LLC, que atribuiu a queda a restrições logísticas.

Na França, a produção de trigo mole deve recuar 7,6% neste ano após uma onda de calor prejudicial. Nos Estados Unidos, a parcela das lavouras de trigo de primavera classificadas entre boas e excelentes caiu cinco pontos percentuais na comparação semanal.

Soja e milho

A soja também fechou em alta. Os contratos para novembro de 2026, de maior liquidez, subiram 1,27%, para US$ 12,3825 o bushel, impulsionados por previsões de chuvas escassas nos EUA e pela expectativa de maior demanda chinesa pelo grão americano.

O milho acompanhou o movimento e avançou 1,89% nos contratos para dezembro de 2026, cotados a US$ 4,2425 o bushel, diante das perspectivas climáticas desfavoráveis para o cinturão agrícola norte-americano.

Com informações de Luiz Eduardo Minervino e Mariana Letizio, de São Paulo

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