A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a produção e comercialização de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, capazes de bloquear a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (22/7) pela Flyttr (antiga Oxitec), empresa responsável pela tecnologia.
A Wolbachia é uma bactéria naturalmente presente em cerca de 60% das espécies de insetos. Quando introduzida no Aedes aegypti, ela reduz drasticamente a capacidade do mosquito de transmitir os vírus. A característica é herdada pelos descendentes, tornando o método autossustentável ao longo do tempo.
Dois diferenciais da autorização
A aprovação traz duas novidades principais: a inclusão de duas linhagens distintas de Wolbachia, ampliando o uso da tecnologia para regiões de clima mais quente, e o método de liberação por caixas, que simplifica a logística e dispensa a construção de biofábricas locais. A cepa já é usada em larga escala na Malásia e em Singapura.
Maior biofábrica do mundo
A empresa aguardava a liberação desde outubro de 2025, quando concluiu as obras da fábrica em Campinas (SP). A infraestrutura tem potencial para produzir até 190 milhões de mosquitos por semana, o que tornará a unidade a maior biofábrica do mundo. O investimento foi de “centenas de milhares de reais”, com aporte da Fundação Gates.
“A aprovação representa um marco importante não apenas para a Flyttr, mas para as comunidades afetadas pela dengue em todo o Brasil”, afirmou Grey Frandsen, CEO da empresa. “Nosso objetivo é tornar essa solução mais acessível, escalável e simples de implementar.”
Plataforma Sparks: logística simplificada
A Plataforma Sparks, lançada em 2024, promete simplificar a cadeia logística. O produto é entregue na forma de ovos, em caixas fáceis de transportar e armazenar. Basta adicionar água no local de soltura para que os ovos eclodam e os mosquitos se acasalem com a população local, transmitindo a Wolbachia às gerações seguintes.
A diretora-geral da Flyttr no Brasil, Natalia Ferreira, destacou: “O Brasil é líder na adoção de abordagens inovadoras em saúde pública. Essa aprovação demonstra confiança nas ferramentas biológicas ao lado das medidas tradicionais de controle de vetores.”
A produção em Campinas também poderá atender outros países da América Latina e da Ásia, severamente afetados pela dengue. A iniciativa está alinhada ao Programa Nacional de Controle das Arboviroses do Ministério da Saúde.