Boi gordo: preços sobem com oferta limitada e dificuldade nas escalas de abate

O mercado do boi gordo voltou a registrar negociações acima dos preços de referência nesta quarta-feira (22/7). Segundo a consultoria Safras & Mercado, o ambiente de negócios ainda é pautado pela restrição de oferta de animais, o que dificulta a composição das escalas de abate e impulsiona as cotações.

A Scot Consultoria informa que as praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP) — referências para o mercado — tiveram alta de R$ 3 na arroba do boi gordo e do “boi China”, passando para R$ 338. Para vaca e novilha, as cotações permaneceram estáveis. A ponta vendedora resistiu, pressionando pela melhora na cotação e segurando as ofertas. Diante disso, os frigoríficos elevaram os preços para manter as escalas, que estavam em seis dias.

Além de São Paulo, foram registradas altas para o boi gordo em Minas Gerais (quatro regiões), Goiás (sul e norte), Alagoas e Paragominas (PA). Nas demais 23 praças monitoradas pela Scot Consultoria, as cotações ficaram estáveis.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que os preços da arroba de boi gordo em São Paulo e nos principais Estados produtores estão se aproximando. Esse cenário se deve a fatores regionais, como condições climáticas, oferta de gado terminado, escalas de abate, desempenho do mercado interno e exportações de carne bovina in natura. De modo geral, há redução da dispersão regional dos preços na maior parte das praças acompanhadas pelo Cepea, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, entre julho de 2025 e a parcial de julho de 2026. Mato Grosso, entretanto, destoou desse movimento ao ampliar significativamente sua diferença em relação ao mercado paulista.

Apesar das altas, a demanda segue fragilizada, aponta a Safras. “O ritmo de embarques vem apresentando arrefecimento semana após semana com o esgotamento precoce da cota chinesa”, destaca Fernando Iglesias, analista da consultoria. O especialista lembra que o mercado interno apresenta padrão de preços mais acomodados da carne no atacado. Entretanto, o nível atual de cotações pressiona as margens da indústria frigorífica.

Nesta quarta-feira, o mercado atacadista manteve preços firmes, relata a Safras, embora o ambiente de negócios indique menor espaço para reajustes durante a segunda quinzena do mês, período tradicionalmente marcado por menor apelo ao consumo.

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