Nova batata-doce do IAC promete rendimento quatro vezes superior à média paulista

O Instituto Agronômico (IAC) desenvolveu uma nova cultivar de batata-doce que promete revolucionar a produção do tubérculo no estado de São Paulo. Batizada de IAC Dom Pedro II, em homenagem ao imperador que fundou o instituto, a variedade de polpa alaranjada apresenta produtividade quatro vezes maior que a média paulista, segundo o pesquisador de raízes e tubérculos do IAC, Valdemir Antonio Peressin.

Os testes realizados em Piracicaba, Mococa e Campinas mostraram que a IAC Dom Pedro II atinge mais de 60 toneladas por hectare, enquanto a média paulista é de 16 toneladas — já superior à média nacional em quatro toneladas. A cultivar começou a ser desenvolvida em 2016, a partir de cruzamentos, e já está registrada no Ministério da Agricultura, estando em processo de proteção para cobrança de royalties.

Além da alta produtividade, a batata-doce se destaca pelo valor nutricional. A variedade é biofortificada, com 77 microgramas de betacaroteno por grama de polpa fresca, enquanto a maioria das variedades comerciais registra menos de 1 micrograma. No organismo, o betacaroteno — importante antioxidante — se transforma em vitamina A, e o consumo de 30 a 60 gramas da batata é suficiente para suprir a necessidade diária do nutriente.

São Paulo é o estado mais tecnificado na produção de batata-doce, com irrigação, plantio mecanizado, colheita semimecanizada, mudas de laboratório e rotação de culturas. Desde 2024, tornou-se o maior produtor nacional, superando o Ceará. Na região de Presidente Prudente, grandes produtores focam na exportação para a Europa, onde a batata de polpa alaranjada é muito apreciada.

“Os bons produtores de Presidente Prudente, região que mais planta batata em São Paulo, conseguem uma produtividade de até 25 toneladas. A IAC Dom Pedro II vai muito além e produz uma batata-doce maior e de polpa alaranjada, bem ao gosto dos europeus”, afirma Peressin.

A cultivar já está sendo plantada experimentalmente em três regiões: em lavouras de Presidente Prudente, na região de Ribeirão Preto e no Centro de Produção e Transferência de Tecnologia Agropecuária, em São José do Rio Preto. Para que a Dom Pedro II se torne uma das cultivares mais plantadas no país, será necessária uma mudança de hábito do consumidor brasileiro, que tradicionalmente prefere a batata de polpa branca. O pesquisador compara com a mandioca: antes, o brasileiro só consumia a de polpa branca; hoje, a amarela é a preferida.

Os viveiros de mudas da Cati Sementes, espalhados pelo estado, e da Mudas Ribeiro, em Uirapuru, venderão as mudas assim que o processo de proteção for concluído.

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