O leite de jumenta, já conhecido por suas propriedades antibacterianas, pode se tornar um aliado importante na produção de sêmen de equinos. Uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) avalia o uso do alimento como diluente para conservação do material genético dos animais, reduzindo a dependência de antimicrobianos convencionais.
“O desenvolvimento de alternativas naturais ao uso de antimicrobianos é uma necessidade crescente em todo o mundo. O leite de jumenta reúne características únicas que podem contribuir para esse objetivo e, ao mesmo tempo, abrir novas possibilidades de inovação na reprodução animal”, destaca o professor Gustavo Ferrer, responsável pela pesquisa.
A propriedade antimicrobiana se deve à alta concentração da enzima lisozima, capaz de atuar sobre diferentes grupos bacterianos. A substância também tem sido investigada por seus efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores. Outros componentes, como lactoferrina, lactoperoxidase, imunoglobulinas e peptídeos bioativos, ampliam o interesse científico sobre o potencial do leite de jumenta.
A tecnologia está sendo desenvolvida pela startup Biofrevo, incubada na UFRPE, que cria soluções inovadoras para reprodução e multiplicação genética de equídeos. A iniciativa integra um conjunto de pesquisas voltadas ao aproveitamento tecnológico do leite de jumenta.
Embora a produção seja de apenas 0,2 a 0,3 litro por dia por jumenta, o preço internacional pode variar entre 30 e 50 euros por litro (R$ 180 a R$ 300), dependendo da oferta e da demanda, segundo os pesquisadores.
“Nosso objetivo é contribuir para a estruturação de uma cadeia produtiva capaz de gerar novas oportunidades de renda para pequenos produtores, estimular a conservação do jumento nordestino e transformar o conhecimento científico desenvolvido nas universidades em soluções inovadoras com impacto econômico, social e ambiental”, completa Ferrer.