Tensões no Oriente Médio elevam preço da ureia em 14% no Brasil em um mês

O preço da ureia nos portos brasileiros registrou alta de 14% em apenas um mês, saltando de US$ 405 para US$ 461 por tonelada entre 26 de junho e 23 de julho, segundo dados da consultoria StoneX. O aumento é reflexo direto do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que afetam as rotas logísticas do Estreito de Ormuz e geram percepção de aperto na oferta global do insumo.

De acordo com Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX, o viés de alta no mercado de nitrogenados está se fortalecendo. “As restrições em rotas que passam pelo Estreito de Ormuz dão ao mercado a percepção de aperto na oferta”, explica. Do lado da demanda, dois grandes importadores disputam o produto: o Brasil, que tradicionalmente aumenta suas compras nesta época do ano para preparar a próxima safra, e a Índia, que busca recompor estoques para seu período de pico de consumo.

Para os produtores brasileiros, a manutenção dessa tendência de alta é preocupante. Pernías destaca que os volumes combinados de ureia, sulfato de amônio e nitrato de amônio importados entre janeiro e junho deste ano indicam um estoque de nitrogênio inferior ao observado em anos anteriores. “É importante que as compras brasileiras ganhem tração nas próximas semanas”, alerta.

Apesar do cenário, a relação de troca entre ureia e grãos ainda está relativamente atrativa. “As relações de troca entre milho e ureia permanecem em níveis próximos à média dos últimos anos, indicando que o agricultor ainda não foi significativamente afetado pela recente valorização do fertilizante”, afirma o analista. No entanto, para os fosfatados, a situação é mais desfavorável, pressionando a rentabilidade do produtor.

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