StoneX projeta déficit global de açúcar de 1,7 milhão de toneladas para 2026/27

Um novo estudo da consultoria StoneX elevou a estimativa para o déficit global de açúcar na safra 2026/27, que deve atingir 1,7 milhão de toneladas. O cenário é reflexo de condições climáticas adversas nos principais polos produtores do Hemisfério Norte e da revisão da estratégia produtiva das usinas brasileiras.

Na União Europeia, ondas de calor e seca severa no norte da França e no sul da Alemanha prejudicaram o desenvolvimento das beterrabas, resultando em uma projeção de 15 milhões de toneladas — queda de 15,3% na produção regional. Na Ásia, os efeitos do El Niño mantiveram as monções na Índia 16% abaixo da normalidade, enquanto na Tailândia chuvas 18,6% inferiores à média histórica devem reduzir a produção de açúcar para 10,2 milhões de toneladas, uma retração de 15,1%.

No Brasil, embora a produção total deva crescer 5,2% e alcançar 43,8 milhões de toneladas, a StoneX reduziu a expectativa para o mix açucareiro. A participação do açúcar no mix do Centro-Sul foi revisada de 47,9% para 46,1% na safra 2026/27, já que as usinas do Centro-Oeste mantêm uma estratégia voltada ao etanol e as chuvas excessivas podem reduzir a concentração de ATR (açúcar total recuperável) na cana.

Apesar do alerta para o próximo ciclo, a safra 2025/26 apresenta um cenário mais confortável. A StoneX revisou para cima o superávit global, agora estimado em 2,94 milhões de toneladas, impulsionado por safras robustas na China e na própria União Europeia. Ainda assim, a consultoria avalia que essa sobreoferta não deve se manter, com recuo de cerca de 2,2% nos estoques globais no próximo ciclo, para 75,1 milhões de toneladas.

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