A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, nesta terça-feira (28/7), o boletim logístico que aponta que os preços dos fretes agrícolas em junho permaneceram acima dos registrados no mesmo período de 2025. Na comparação mensal, porém, algumas rotas apresentaram declínio em relação a maio, especialmente em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país.
No estado mato-grossense, 72% das rotas monitoradas tiveram recuo nas cotações mensais, com variações entre queda de 8% e alta de igual percentual. Segundo a Conab, o volume de embarques abaixo do esperado para o período e o aumento da demanda interna por milho elevaram os preços pagos ao produtor e reduziram as distâncias percorridas no transporte rodoviário.
Em Mato Grosso do Sul, os fretes permaneceram estáveis, com aumento em metade dos trechos avaliados, sustentados pelos custos operacionais e pelo fluxo contínuo de cargas. Já em Goiás, a Conab registrou recuo na maioria das rotas, especialmente em Cristalina e Bom Jesus de Goiás. No Distrito Federal, todas as rotas apresentaram retração, com valores até 4% inferiores aos de maio. A desaceleração do escoamento das safras de soja e milho explica esse movimento, ainda que o diesel continue mais caro que no ano passado.
Na Bahia, os fretes também recuaram ou ficaram estáveis na maior parte das rotas. Em Luís Eduardo Magalhães, importante polo produtor de grãos no oeste do estado, as tarifas caíram até 7%, reflexo da redução da demanda após o pico de escoamento da safra, em abril, e do aumento da oferta de transportadores, que intensificou a concorrência.
No Maranhão, os fretes avançaram em algumas regiões, com destaque para Balsas e Tasso Fragoso, em razão do aumento da demanda após o fim da colheita da soja. No Piauí, as altas também predominaram, impulsionadas pelos embarques de soja ao exterior e pelo aumento do preço dos combustíveis no mercado local.
Nas praças paulistas, a maior parte dos fretes permaneceu estável ou registrou pequena alta. Apesar do atraso na colheita em algumas localidades, a demanda pelo escoamento da produção agrícola aumentou. Em Minas Gerais, a pesquisa apontou preços em queda ou praticamente estáveis. Já no Paraná, o início da colheita do milho segunda safra ampliou a demanda por transporte nas principais regiões produtoras, com os custos operacionais influenciados pelo preço dos combustíveis.
No acumulado do ano até junho, as exportações brasileiras de soja em grãos somaram 69,5 milhões de toneladas, alta de cerca de 7,12% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os embarques de milho ao exterior também cresceram, alcançando 7,9 milhões de toneladas, volume cerca de 22,13% superior ao totalizado em junho de 2025.