O Porto de Natal, no Rio Grande do Norte, está se preparando para retomar a exportação de animais vivos, uma iniciativa que já divide opiniões entre diferentes setores da sociedade potiguar. A medida, que visa ampliar as rotas comerciais do estado, envolve a adaptação da infraestrutura portuária para atender às exigências sanitárias e logísticas necessárias para o transporte de bovinos, ovinos e caprinos.
De um lado, produtores rurais e entidades do agronegócio veem a iniciativa como uma oportunidade de abrir novos mercados internacionais, especialmente no Oriente Médio e na África, onde a demanda por carne e animais de corte é crescente. Para eles, a exportação de animais vivos pode gerar divisas e fortalecer a economia local.
Por outro lado, organizações de defesa animal e parte da população expressam preocupações com o bem-estar dos animais durante o transporte marítimo, que pode durar dias. Críticos apontam riscos de estresse, desidratação e maus-tratos, além de questionarem a viabilidade econômica da operação em comparação com a exportação de carne processada.
A discussão ganha força em um momento em que o governo estadual busca diversificar as atividades do Porto de Natal, que historicamente movimenta frutas, sal e outros produtos. A Secretaria de Agricultura do RN ainda não divulgou um cronograma oficial para o início das operações, mas já iniciou estudos técnicos e consultas aos órgãos reguladores.
O debate sobre a exportação de animais vivos no Rio Grande do Norte reflete um dilema global entre desenvolvimento econômico e ética animal, que promete continuar gerando controvérsias nos próximos meses.