O desmatamento que pode ocorrer com o fim da Moratória da Soja tem potencial de gerar prejuízos de pelo menos US$ 8,2 bilhões nos próximos dez anos, considerando a perda de serviços ecossistêmicos. A projeção é do WWF-Brasil, baseada em estudo publicado na revista Science que estima que o fim do acordo ambiental pode levar ao desmatamento de 1,4 milhão de hectares na Amazônia.
O cálculo econômico considera valores atribuídos a serviços como geração de chuvas e preservação da biodiversidade. De acordo com a análise, o desmate potencial pode resultar em perdas de US$ 831,6 milhões por redução de chuvas na agricultura, entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões no setor elétrico (devido à diminuição da vazão hidrelétrica) e US$ 7 bilhões associados à destruição da biodiversidade.
Tiago Reis, especialista em Conservação do WWF-Brasil, destacou que o estudo não incluiu impactos como perda de acesso a mercados que exigem a Moratória nem possíveis ganhos com créditos de carbono. “Preferimos não considerar o carbono por ele ser precificado de formas muito diferentes e ter uma complexidade envolvida”, afirmou.
Para calcular as perdas na agricultura, o WWF usou um estudo de 2024 da Nature Communications Earth & Environment que estima que cada hectare de floresta amazônica gera 3 milhões de litros de chuva por ano, resultando em um serviço de irrigação natural de US$ 59,40 por hectare/ano. “Quem paga esse custo é o produtor rural”, alertou Reis.
No setor elétrico, a metodologia do Climate Policy Initiative (CPI) de 2025 foi adotada para medir o impacto dos “rios voadores” sobre usinas como Itaipu, Belo Monte e Jirau. Já para a biodiversidade, o cálculo considerou valores de fármacos, biotecnologia, polinização e controle biológico, com base em estudo da Science de 2025.
O estudo também aponta que, entre 2006 e 2016, a Moratória da Soja gerou US$ 10,27 bilhões em benefícios econômicos diretos. Reis observa que as perdas potenciais serão arcadas em parte pelos produtores rurais, mas também pela sociedade como um todo, especialmente com a perda de biodiversidade – “uma perda para o mundo todo”.
O levantamento não considera possíveis “pontos de não retorno” ecológicos, que alterariam o regime climático e as funções da floresta de forma irreversível.