O Grupo Belagrícola protocolou na última sexta-feira (24/7) na Justiça do Paraná um pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial de sua subsidiária Bela Sementes. O objetivo é reorganizar R$ 464 milhões em dívidas com credores quirografários (sem garantia real). A Bela Sementes, com sede em Tamarana (PR), já obteve a adesão do Santander e da Syngenta, que juntos detêm 53,18% dos créditos abrangidos pelo plano com direito a voto.
Somente o Santander tem R$ 211 milhões a receber da Bela Sementes. Como ambos são credores apoiadores, eles não terão deságio sobre o valor devido. Já os credores que não apoiarem o plano sofrerão deságio de 75%. A companhia também pediu à Justiça a suspensão de execuções (stay period) por 180 dias a contar da data do pedido, ou ao menos até 24 de agosto.
A apresentação de um plano exclusivo para a subsidiária de sementes segue a determinação da Justiça paranaense, que entendeu no início do ano que o Grupo Belagrícola não deveria unir suas empresas em um único pedido de recuperação extrajudicial, mas realizar planos em separado para cada subsidiária — ou entrar com um pedido de recuperação judicial para todo o grupo.
O grupo havia entrado com um pedido de recuperação extrajudicial consolidado para todas as suas empresas em outubro de 2025 para reestruturar R$ 2,2 bilhões em dívidas quirografárias, mas foi obrigado a segregar as dívidas após decisão de fevereiro deste ano. Em 6 de março, o grupo alterou o processo de recuperação extrajudicial em curso para constar apenas sua distribuidora de insumos Belagrícola, indicando que apresentaria outros planos para as demais subsidiárias.
Segundo o grupo, as finanças da Bela Sementes foram afetadas pela quebra de safra de 2023/24 no Paraná, São Paulo e Centro-Oeste, pela volatilidade dos preços dos grãos, pela queda dos preços dos insumos, pela alta dos juros e pelo aumento da inadimplência.