Chuvas Prolongadas Retardam Colheita de Café da Cooxupé e Elevam Riscos para a Safra de 2027

A Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé) reportou que a colheita de café em sua área de influência atingiu apenas 58,3% até o dia 24 de julho. O ritmo é mais lento do que o observado em safras anteriores, quando, nesta mesma época, o trabalho de campo já ultrapassava 60% dos cafezais. O atraso é atribuído às chuvas persistentes na região.

O Sul de Minas lidera o avanço, com 64% da colheita concluída, seguido por São Paulo (63%), Matas de Minas (50%) e Cerrado Mineiro (50%). De acordo com Guilherme Vinicius Teixeira, coordenador de Geoprocessamento da Cooxupé, a safra atual é considerada boa, mas não uma supersafra. “A maturação dos grãos foi desuniforme devido às quatro floradas que ocorreram”, explicou.

No dia 29 de julho, a cooperativa realizou o 8º Fórum Café e Clima, onde Teixeira apresentou dados climáticos mês a mês ao longo do ciclo. Ele destacou que a fase vegetativa das plantas teve desempenho dentro da média, mas a etapa reprodutiva sofreu com condições climáticas irregulares, resultando em múltiplas floradas. A frutificação e a maturação também foram classificadas como dentro da média regional. “A safra é de peneira e rendimento dentro da média. Não é a melhor nem a pior. Lavouras mais bem manejadas tiveram melhores condições”, afirmou, mencionando ainda a queda de folhas e frutos, com perdas no campo.

Embora não tenha havido déficit hídrico significativo, as chuvas que atrasam a colheita atual estão impactando o manejo pós-colheita. “Como está chovendo e úmido, o café vai para o secador em temperatura mais alta, surgindo defeitos de secagem. Tem café chegando com umidade elevada no recebimento. Esse é o cenário que exige cuidado”, alertou Teixeira. Ele ressaltou que o trabalho pós-colheita será determinante para o sucesso da safra de 2027.

Com a colheita mais lenta, os cafezais apresentam sobreposição de fases: plantas entram em pré-florada e até florada enquanto ainda há frutos no pé. “O desenvolvimento vegetativo está um pouco melhor, mas estamos entrando em um El Niño. Baixo estresse hídrico e múltiplas floradas são possíveis. É preciso atenção com o controle fitossanitário, queda de folhas e pré-floradas”, concluiu Teixeira.

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