Regiões produtoras de café de São Paulo e Minas Gerais devem receber chuvas nos próximos 15 a 20 dias, com a previsão de avanço de uma frente fria sobre os dois estados no final da primeira quinzena de agosto. A avaliação foi feita pelo agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima, durante o Fórum Café e Clima, promovido pela Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé). Segundo ele, essa condição já é um efeito do fenômeno climático El Niño e exige atenção dos cafeicultores, que já enfrentam problemas como a queda de frutos no campo.
“Tem café no chão, perda de qualidade. Dependendo do volume de chuva, além de atrapalhar a colheita, pode induzir novas floradas em meados de agosto”, afirmou Santos. “Teremos mais chuva em agosto e setembro. Essa é uma característica do El Niño: antecipar o regime de chuvas”, acrescentou.
Outra característica de períodos sob efeito do fenômeno climático, explicou o especialista, é a elevação das temperaturas. Ele ressaltou que os modelos climáticos indicam elevadas amplitudes térmicas (diferença entre mínima e máxima), com possibilidade de ocorrência de ondas de calor. “A probabilidade de geadas é bem menor em anos de El Niño. O risco existe, mas é muito menor. Bem diferente de seca e excesso de chuvas”, pontuou.
Santos informou que agosto deve ser marcado pela combinação de chuva e temperaturas elevadas. Em setembro, também deve chover, mas com os termômetros dentro das médias para o período. Em outubro, as regiões produtoras devem se beneficiar da chuva. Já em novembro, há risco de bloqueios atmosféricos: bolsões de ar quente na área central do Brasil que “empurram” as precipitações para o Sul. Cerrado Mineiro e Mogiana podem ficar sem chuva, alertou.
“Independentemente da intensidade que esse El Niño vai ter, o auge dele será entre novembro e dezembro. Quando isso acontecer, vai tirar pressão de chuvas das áreas centrais do Brasil e jogar para o Sul”, disse o agrometeorologista.