Acionistas brasileiros retomam controle total da Vibra Foods com compra de fatia da Tyson

Após seis anos de sociedade, a gigante americana Tyson Foods vendeu sua participação de 40% na Vibra Foods para os acionistas brasileiros das famílias Wallauer e Müller. A transação, anunciada nesta segunda-feira (3 de agosto), foi feita com recursos próprios dos sócios brasileiros, que agora detêm o controle integral da processadora de carne de frango gaúcha. O valor do negócio não foi divulgado.

A decisão faz parte de uma reestruturação global da Tyson, que optou por concentrar esforços no mercado doméstico dos Estados Unidos. “Foi uma decisão entre as duas empresas. Faz parte de uma reestruturação global da Tyson, concentrando os esforços no mercado doméstico americano”, afirmou o diretor-presidente da Vibra Foods, Gerson Müller, em entrevista ao Valor.

Parceria comercial mantida

Apesar do fim da sociedade, a parceria comercial entre as companhias continua. A Vibra seguirá atendendo os compradores internacionais conquistados durante a joint venture, incluindo México e Canadá, além de mercados tradicionais como Europa, Japão e Arábia Saudita. “Investimos em nossas unidades para crescimento orgânico, desenvolvimento de novos produtos e atendimento a novos mercados. A Tyson nos ajudou a conquistar habilitações e continua a parceria comercial”, destacou Müller.

Durante o período da sociedade, iniciada em janeiro de 2020, a Vibra investiu mais de R$ 500 milhões. O quadro de funcionários saltou de 4 mil para quase 7 mil, e a participação das exportações passou de 60% para 65%.

Movimento da Tyson nos EUA

A saída da Tyson do Brasil ocorre em meio a um cenário de redução de oferta de gado bovino nos Estados Unidos — a menor em mais de 70 anos —, que elevou os custos para frigoríficos. Em abril de 2026, a americana fechou uma unidade em Rome (Geórgia) e, em novembro de 2025, encerrou operações em Lexington (Nebraska) e reduziu atividades em Amarillo (Texas). O segmento de frango desponta como alternativa no mercado americano.

Esta é a segunda vez que a Tyson se desfaz de operações no Brasil. Em 2014, vendeu sua unidade de frango à JBS por US$ 175 milhões.

Perspectivas para a Vibra

Com o controle 100% nacional, a Vibra projeta crescimento de 10% no volume de vendas em 2026. A empresa foca em produtos de maior valor agregado, como empanados, e mantém o Oriente Médio como principal destino das exportações (metade do volume embarcado). Müller destacou que a companhia adaptou a logística para continuar atendendo clientes na região, em meio ao conflito local, sem repassar aumentos de preços, apenas custos logísticos.

A Vibra também atende compradores na China, África e América Latina, e segue dedicada exclusivamente à produção de frango. “Só produzimos frango e queremos continuar nessa jornada”, afirmou o executivo.

Fonte: Nayara Figueiredo — São Paulo, para o Globo Rural / Valor Econômico

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