O crescimento da demanda por biomassa em Mato Grosso, principalmente para abastecer usinas de etanol de milho, tem despertado o interesse de produtores rurais, empresas e fundos de investimento no plantio de eucalipto. A atividade ganhou ainda mais destaque após o Termo de Compromisso Ambiental (TCA) firmado entre o governo estadual e o Ministério Público, que proíbe o uso de madeira nativa como biomassa a partir de 2035.
Acordo ambiental acelera expansão
Segundo Fausto Takizawa, presidente do conselho da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta), o acordo ambiental já impulsiona o setor. “Todas essas alternativas já estão acontecendo”, afirma. O estado conta hoje com 165,62 mil hectares de eucalipto, mas a meta é chegar a 700 mil hectares até 2040, o que exigirá investimentos de R$ 8,5 bilhões, ou cerca de R$ 610 milhões por ano.
O Imea registrou expansão de 22 mil hectares em 2025, enquanto a Arefloresta aponta 27 mil hectares. Para Takizawa, o ritmo atual ainda é insuficiente para evitar risco de desabastecimento não sustentável.
Novos contratos e investimentos
A JFI Silvicultura, por exemplo, firmou contrato com a Inpasa, maior produtora de etanol de milho do Brasil, para plantar 3 mil hectares por ano a partir de 2026, por pelo menos três anos. “E já há mais empresas que nos procuraram”, diz o sócio José Carlos de Almeida.
Marcelo Schmid, do Grupo Index, relata que o acordo ambiental acelerou o interesse de investidores. Ele estima que mais de 60% da biomassa consumida por médias e grandes agroindústrias em Mato Grosso ainda vem de florestas nativas, o que abre espaço para o eucalipto.
Oportunidades e desafios
O eucalipto pode ocupar áreas de pastagens degradadas ou terras que não são mais viáveis para soja, com a queda do preço da oleaginosa. No entanto, o financiamento é um entrave. “Há carência de crédito para silvicultura, e o retorno só vem depois de seis a sete anos”, explica Schmid. O custo do plantio ao corte é estimado em R$ 15 mil por hectare, com despesas maiores em Mato Grosso devido à irrigação.
Uma alternativa são os recursos da reposição florestal prevista no Código Florestal, que pode ao menos dobrar a área plantada com eucalipto no estado, segundo Takizawa.