Entre 2018 e 2025, os prejuízos causados pela deriva de herbicidas hormonais, como 2,4-D, dicamba, picloram e fluroxipir, na produção de uvas e vinhos do Rio Grande do Sul somam R$ 210 milhões. O dado é de um estudo apresentado nesta quinta-feira (6/8) pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS).
O levantamento foi viabilizado pela Fundação Empresa-Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FEENG) e executado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). A pesquisa reuniu dados oficiais, georreferenciamento, entrevistas com produtores e projeções econômicas para mensurar os efeitos do problema e seus reflexos sobre a competitividade e o desenvolvimento da cadeia vitivinícola gaúcha.
O montante de R$ 210 milhões inclui perdas de produção, aumento de custos de manejo e renovação de vinhedos atingidos. O estudo também apresenta projeções para os próximos cinco anos: se o cenário permanecer inalterado, os prejuízos podem alcançar outros R$ 150,1 milhões.
A pesquisa foi construída a partir da análise de mais de 400 ocorrências registradas de deriva no Rio Grande do Sul, complementadas por entrevistas em diferentes regiões vitivinícolas e análises territoriais. As estimativas indicam que aproximadamente 700 hectares de vinhedos foram diretamente afetados pelos episódios registrados no período, especialmente em regiões onde a vitivinicultura convive com sistemas agrícolas extensivos que fazem uso desses agroquímicos. Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que esse número pode ser ainda maior, uma vez que o trabalho foi elaborado com base nos registros oficiais e nas fontes consultadas, não sendo possível mensurar a totalidade das ocorrências no estado.
Entre os principais resultados, o levantamento identificou que a deriva de herbicidas hormonais deixou de ser percebida como um evento pontual e passou a representar um fator permanente de risco para a atividade vitivinícola. Seus efeitos ultrapassam as perdas imediatas de produtividade e influenciam decisões relacionadas à renovação de vinhedos, ampliação da produção, lançamento de novos produtos, investimentos em enoturismo e iniciativas coletivas de desenvolvimento territorial.
Todos os produtores entrevistados afirmaram ter reduzido ou adiado investimentos em função da recorrência dos episódios e da incerteza quanto à ocorrência de novos casos. O estudo aponta reflexos sobre a renovação de vinhedos, expansão da atividade, desenvolvimento de novos produtos, fortalecimento do enoturismo e iniciativas coletivas, como projetos de indicação geográfica.
“Conhecer a dimensão desse problema é um passo importante para que a vitivinicultura gaúcha possa planejar seu futuro com base em evidências. Este estudo fortalece o setor ao oferecer informações técnicas qualificadas que poderão orientar o diálogo institucional e contribuir para a busca de soluções capazes de preservar o desenvolvimento da vitivinicultura em harmonia com as demais atividades agrícolas do Estado”, reforça o presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto.